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«De Norte a Sul», a greve da Função Pública parou o País

O ministro da Saúde prefere não «alimentar o debate dos números» de adesão à greve, convocada pela Frente Comum/CGTP-IN, face a uma participação massiva na acção de luta em diversos sectores. 

Em dia de greve na Função Pública, os trabalhadores da Empresa Municipal de Regulação de Estacionamento e Mobilidade de Almada (WEMOB), desfilaram nas ruas de Almada, concentrando-se posteriormente nos Paços do Concelho. 
Em dia de greve na Função Pública, os trabalhadores da Empresa Municipal de Regulação de Estacionamento e Mobilidade de Almada (WEMOB), desfilaram nas ruas de Almada, concentrando-se posteriormente nos Paços do Concelho. Créditos / STAL

Uma boa adesão à greve da Função Pública, convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública/CGTP-IN para o dia de hoje, não estava garantida. O persistente agravar das condições de vida dos trabalhadores portugueses e as tentativas, desesperadas, do Governo PS em desmobilizar os trabalhadores, prometendo aquilo que não vai cumprir, conspiraram contra uma grande mobilização nesta acção de luta.

Falharam. Em todo o país, incluíndo as regiões autónomas, os trabalhadores portugueses expressaram o seu descontentamento com a continuada perda de poder de compra e os placebos que o Governo continua a impingir como solução, com grande alarde, numa população que não consegue subsistir com bónus, pontuais, de 125 euros ou aumentos salariais que nem chegam a acompanhar parte da inflação.

Em comunicado, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN), que integra a Frente Comum, afirma que a adesão à greve desta sexta-feira, em todos os sectores, rondou os 80%: «com centenas de serviços dos vários ministérios encerrados e muitas centenas de outros a laborar só com serviços mínimos».

Trabalhadores sem capacidade financeira para aderir à greve expressam a sua solidariedade com os colegas em luta

Na escola básica Eugénio dos Santos as portas abriram-se para receber os alunos, ainda que o número de aulas tenha sido muito reduzido. A escola habitualmente não estaria aberta em dia de greve mas, como explicou uma das funcionárias ao jornal Público: «com um salário de pouco mais de 600 euros, ficar sem 22,85 euros e sem o subsídio de almoço, quatro euros, é muito... A vida está mais cara», sublinhando o seu apoio ao protesto.

Para a maioria, «hoje é um dia sem aulas em Portugal», afirmou Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN). Centenas de escolas encerraram em todo o país, uma situação que expressa o forte descontentamento dos docentes.

É a segunda vez que os professores e educadores paralisam a Educação nas últimas semanas. A disponibilidade dos docentes para aderir a esta greve, depois da forte participação na acção de 2 de Novembro, atesta o facto: em Sintra, nenhum agrupamento escolar abriu; em Faro, três dos cindo agrupamento estão completamente encerrados, os restantes a meio gás. Olhão não teve aulas hoje, enquanto no distrito do Porto dezenas de escolas fecharam.

Mário Nogueira, presidente da Fenprof, reconheceu, em declarações à imprensa, que o aumento proposto pelo Governo é o maior aumento salarial da década. No entanto, a propaganda do Governo oculta o facto de se tratar da «maior perda de poder de compra num só ano, nos últimos 30 anos». Dá com uma mão e tira, muito, com a outra.

«O Governo deve pôr os olhos na força reivindicativa» dos trabalhadores, afirma Sebastião Santana

Em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN) anuncia o bloqueio total dos serviços de recolha de lixo em muitas dezenas de municípios em Portugal, como é caso de Aljustrel, Almada, Amadora, Beja, Cascais, Évora, Grândola, Loures, Moita, Odivelas, Palmela e Seixal. 

«Estamos perante uma grande greve dos trabalhadores da administração pública. De Norte a Sul do país, há perturbações nos serviços públicos», anunciou Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum. A esmagadora maioria dos hospitais e centros de saúde está a serviços mínimos, «o atendimento ao público das autarquias locais, da segurança social, das finanças... muitos estão encerrados».

«As medidas do Governo são manifestamente insuficientes para responder aos problemas com que os trabalhadores da administração pública se confrontam. Os trabalhadores estão dispostos a lutar». 

Os sindicatos vão manter as acções de luta, se o Governo de maioria absoluta do PS mantiver o actual rumo «de empobrecimento, de desvalorização das carreiras e da ausência de reforço dos serviços públicos».

E o combate pelo aumento dos salários prossegue já no próximo dia 25 de Novembro, com a realização de uma concentração junto da Assembleia da República, pelas 10h30, promovida pela CGTP-IN, enquanto se realiza a votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2023.

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