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Alcochete é solução de futuro, mas Governo não se compromete e espera por PSD

O primeiro-ministro voltou a defender um «consenso nacional suficiente» para que haja um «menor risco» de voltar atrás, quando estudos defendem Alcochete como a melhor opção para o novo aeroporto de Lisboa. 

Créditos / Bomdia.eu

Foi no debate na Assembleia da República, esta quarta-feira, que António Costa foi confrontado por Paula Santos com o tema da construção do novo aeroporto de Lisboa. A deputada comunista lembrou que, estando praticamente esgotada a capacidade do aeroporto de Lisboa, se exige a construção faseada do novo aeroporto, de acordo as conclusões do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), homologadas pelo Executivo. 

«O que impede o Governo de o fazer?», indagou a deputada. «Não há nada que o impeça a não ser falta de vontade política para enfrentar os interesses da ANA/Vinci», prosseguiu. A líder da bancada parlamentar comunista registou que o Governo lançou um concurso para a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), mas entretanto o primeiro-ministro já veio dizer que a decisão depende de um acordo com o PSD. «Parece que anda à procura do caminho para não confrontar a Vinci», observou Paula Santos, adiantando que não avançar com a solução que dá resposta às necessidades do País é comprometer o futuro.

António Costa insistiu na tese de que defende um consenso sobre as grandes obras públicas, lamentando uma vez mais o facto de não ter conseguido alterar a lei do veto dos municípios, para cuja intenção contava com o apoio dos social-democratas (que optavam pelo Montijo), e voltando a insistir que espera pela nova liderança do PSD para conhecer a solução defendida. 

Primeiro-ministro desde Novembro de 2015, António Costa critica que o País ande «há décadas» a estudar a localização do novo aeroporto de Lisboa, mas há estudos que referem claramente qual é a melhor solução a longo prazo. 

Campo de Tiro de Alcochete, defende o LNEC 

Ouvida esta terça-feira numa audição na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação sobre o concurso público para a Avaliação Ambiental Estratégica sobre a localização do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, a presidente do LNEC admitiu, suportada na informação disponível, que «Alcochete permite uma futura expansão do aeroporto», enquanto que no Montijo há uma «limitação da expansão».

Apesar de o LNEC não ter sido chamar a intervir no processo de Avaliação Ambiental Estratégica – que deverá arrancar em breve para a escolha da localização do novo aeroporto da Grande Lisboa –, a sua presidente, Laura Caldeira, assegura que a instituição está sempre disponível para participar. E pode fazê-lo quer como coordenador do estudo que irá ser feito, quer apenas a acompanhar o processo.

Em 2007, o LNEC fez o estudo que apontou o Campo de Tiro de Alcochete como opção para a construção do aeroporto internacional de Lisboa. Alcochete, defende a presidente, tem mais margem de manobra para uma futura expansão que o Montijo. «Com os estudos que temos, neste momento, Alcochete parece ser a solução [mais adequada] a longo prazo», afirmou Laura Caldeira. A presidente do LNEC admitiu ainda: «Alcochete permite uma futura expansão do aeroporto. No Montijo temos a limitação da expansão.»

Qual é a vantagem de ter dois aeroportos?

Também o antigo bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Matias Ramos, pediu várias vezes ao longo da audição esta terça-feira, no Parlamento, que lhe «provassem» que a solução que integra o Montijo é mais barata e rápida do que a do Campo de Tiro de Alcochete, que estudou, em 2007, quando liderava o LNEC.

Carlos Matias Ramos levantou dúvidas sobre a atracção de companhias aéreas para um futuro aeroporto de Lisboa no Montijo. «A easyJet não vai para o Montijo, já ganhou os slots e ninguém lhos pode tirar desde que satisfaçam os objectivos. A Ryanair já disse que não ia. Então quem é que vai?», questionou, deixando ainda críticas à Avaliação Ambiental Estratégica e à Vinci.

«O grande interesse da Vinci é manter a Portela» referiu, indicando que «numa fase de transição» as receitas que neste momento tem com a infraestrutura não seriam mantidas. «Querem manter a Portela até 2062, o resto é atirar valores para que esta solução seja alcançada», indicou.

«Qual a vantagem da solução dual [com dois aeroportos]? Temporária ainda entendo, mas definitiva», questionou, apontando a duplicação de policiamento e de controladores aéreos.


Com agência Lusa

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