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Depressão Kristin: Governo foge à prestação de contas com a ajuda do Chega

O PCP quis chamar o Governo ao Parlamento. Aguiar Branco considerou que tal só poderia acontecer com consenso. PSD e Chega não responderam no prazo; o CDS defendeu manter a ausência de plenários; e o PS disse que não se oporia se houvesse unanimidade, o que não se verificou.

CréditosPaulo Novais / Agência Lusa

As críticas à actuação do Governo multiplicam-se e as populações afectadas pela depressão Kristin não sabem como será o futuro. Desta forma, o PCP tentou agendar um debate urgente na Assembleia da República, para a próxima quarta-feira, sobre os impactos da tempestade. No entanto, a iniciativa não obteve a unanimidade necessária entre todos os partidos para se realizar.

Acontece que por decisão unânime da conferência de líderes a 21 de Janeiro, foram cancelados os plenários na semana de 1 a 6 de Fevereiro, que antecedem a segunda volta das eleições presidenciais, porém, o PCP considerou que os recentes acontecimentos no país ao Governo esclarecimentos, assim como medidas urgentes para apoiar as populações e garantir a reposição dos serviços essenciais.

Importa lembrar que o Executivo liderado por Luís Montenegro demorou 40 horas a reagir e ainda estão pessoas sem eletricidade, comunicações ou água. Neste contexto, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, recusou convocar a reunião da conferência de líderes para discutir a proposta do PCP de levar o Governo ao Parlamento, argumentando que não tinha poder para derrogar uma decisão unânime prévia, e em alternativa propôs uma consulta escrita aos partidos.

Para José Pedro Aguiar-Branco, se todos os partidos concordam poderia, então, haver o tal plenário requerido pelos comunistas. Acontece que o PSD e Chega não responderam no prazo estipulado, o CDS defendeu manter a ausência de plenários, e o PS disse que não se oporia caso houvesse unanimidade, algo que assim não se verificou.

Em declarações à imprensa, a líder da bancada parlamentar do PCP, Paula Santos criticou os partidos do Governo, PSD e CDS-PP, por «não quererem que houvesse esse debate» no parlamento, notando também que o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, já tinha dado nota da sua oposição à realização deste debate numa semana em que não estavam agendados quaisquer plenários devido à segunda volta das eleições presidenciais.

Questionada sobre os esclarecimentos dados esta quinta-feira pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, a deputada comunista disse que «o ministro não esclareceu nada» e não deu qualquer resposta sobre o que o Governo pretende fazer.

«Não houve resposta para a questão que nós colocámos sobre a necessidade, qual é que é o plano, qual é que é a ação, as operações por parte do Governo, para, de facto, garantir as respostas que são necessárias e para a reposição da normalidade da vida das pessoas», criticou. Mais uma vez, ante uma catástrofe, o Governo refugiou-se na opacidade e fugiu ao escrutínio. 
 

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