O primeiro-ministro anunciou esta terça-feira, 3 de Fevereiro, que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19. A isenção começará à meia-noite e vai estender-se até terça-feira, dia 10 de Fevereiro, às 24 horas.
A medida, que peca por tardia, será também de pouca dura e, terá custos para o Estado, aquele que construiu as autoestradas e as entregou à Brisa para esta lucrar com o investimento público.
«Esta decisão foi tomada por forma a poder apoiar a deslocação de materiais e de voluntários para estas regiões do país, em estrita articulação com as concessionárias e subconcessionárias», diz o comunicado do Governo.
Acontece que tal medida tem custos contratuais elevados. O presidente executivo (CEO) da Brisa, António Pires de Lima, ex-ministro da Economia do ex-governo PSD/CDS-PP/troika, revelou à imprensa que indicando que o grupo, muito além daquilo que são as suas «obrigações do contrato de concessão», e caridosamente acedeu «a suportar 30% do custo desta isenção».
Apesar de não saber ao certo quanto é que a empresa estimava ganhar nesse periodo de tempo, Pires de Lima vincou que «a Brisa vai fazer um esforço relevante, que estimamos pode oscilar entre os 300 e 500 mil euros, nesta decisão política que nos ultrapassa, mas com a qual queremos mostrar também a nossa solidariedade».
A solidariedade que foi inexistente ao longo deste últimos dias de desespero, na medida em que as portagens continuaram a funcionar como se nada tivesse acontecido, terá para o Estado um custo de 70% do que seria a faturação da empresa no espaço de uma semana.
Ainda sem números totais, importa lembrar que a Brisa Concessão Rodoviária registou lucros de 155,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, representando um aumento de 14,5% face ao mesmo período do ano anterior.
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