|Governo PSD/CDS-PP

Governo anunciou suspensão de portagens, porém a Brisa continuará a lucrar

Demorou quase uma semana, mas o Governo lá anunciou que vai isentar de portagens as zonas afectadas pela depressão Kristin. A Brisa estima que nesse período de tempo lucraria entre os 300 e 500 mil euros, algo que será comparticipado pelo Estado. Em jeito de solidariedade, a empresa acedeu a suportar 30% do custo.

António Pires de Lima, presidente do conselho de administração da Brisa, com Nuno Melo, actual presidente do CDS-PP, em 2019 
CréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa


O primeiro-ministro anunciou esta terça-feira, 3 de Fevereiro, que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19. A isenção começará à meia-noite e vai estender-se até terça-feira, dia 10 de Fevereiro, às 24 horas.

A medida, que peca por tardia, será também de pouca dura e, terá custos para o Estado, aquele que construiu as autoestradas e as entregou à Brisa para esta lucrar com o investimento público. 

«Esta decisão foi tomada por forma a poder apoiar a deslocação de materiais e de voluntários para estas regiões do país, em estrita articulação com as concessionárias e subconcessionárias», diz o comunicado do Governo.

Acontece que tal medida tem custos contratuais elevados. O presidente executivo (CEO) da Brisa, António Pires de Lima, ex-ministro da Economia do ex-governo PSD/CDS-PP/troika, revelou à imprensa que indicando que o grupo, muito além daquilo que são as suas «obrigações do contrato de concessão», e caridosamente acedeu «a suportar 30% do custo desta isenção».

Apesar de não saber ao certo quanto é que a empresa estimava ganhar nesse periodo de tempo, Pires de Lima vincou que «a Brisa vai fazer um esforço relevante, que estimamos pode oscilar entre os 300 e 500 mil euros, nesta decisão política que nos ultrapassa, mas com a qual queremos mostrar também a nossa solidariedade». 

A solidariedade que foi inexistente ao longo deste últimos dias de desespero, na medida em que as portagens continuaram a funcionar como se nada tivesse acontecido, terá para o Estado um custo de 70% do que seria a faturação da empresa no espaço de uma semana.  

Ainda sem números totais, importa lembrar que a Brisa Concessão Rodoviária registou lucros de 155,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, representando um aumento de 14,5% face ao mesmo período do ano anterior.


 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui