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Rússia e China abordam questões globais e reforçam cooperação

Numa reunião por videoconferência, Vladimir Putin e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, analisaram diversas questões da agenda regional e global, destacando o excelente nível das relações bilaterais.

CréditosMikhail Metzel / POOL/TASS

No decorrer do encontro desta quarta-feira, que durou cerca de uma hora e meia, o presidente russo informou o chefe de Estado chinês sobre a conversa que manteve, dia 7, com o presidente dos EUA, Joseph Biden, «que considerou substantiva e útil», revelou Yuri Ushakov, assessor do Kremlin.

Neste contexto, chamou a atenção para as ameaças crescentes aos interesses russos, em virtude da expansão dos Estados Unidos e da NATO para o Leste da Europa, e referiu-se à proposta do Kremlin de iniciar negociações imediatas, com o intuito de estabelecer acordos legais vinculativos.

De acordo com a fonte, Putin e Xi defenderam que a cimeira pela democracia, organizada por Washington, foi concebida desde o início como uma forma de confrontação e que eventos do género acabam por ser contraproducentes no contexto da difícil situação internacional.

Os dois presidentes discutiram detalhadamente a actividade de Washington na região Ásia-Pacífico, tendo avaliado de forma negativa a criação das alianças Aukus (integrada por Austrália, EUA e Reino Unido) e Quad (Austrália, Índia, EUA e Japão), declarou Ushakov.

De acordo com o funcionário, ambos sublinharam a necessidade de intensificar os esforços com vista à criação de uma infra-estrutura financeira independente que facilite as operações comerciais entre os dois países.

Da mesma forma, defenderam o aumento da participação das moedas dos respectivos estados nos pagamentos mútuos e uma maior cooperação.

Maior cooperação e coordenação mais estreita

No encontro, refere a agência Prensa Latina, o presidente da China, Xi Jinping, considerou necessário unir forças contra a tentativa de alguns países de se imiscuírem nos assuntos internos de outros e, inclusive, de violar normas internacionais, sob o pretexto da democracia e dos direitos humanos.

Xi defendeu que ambos os países devem aproveitar o peso que possuem em espaços como a Organização das Nações Unidas, o grupo dos Brics ou a Organização de Cooperação de Xangai para erguer a voz a favor da governação global e da busca de soluções práticas para questões que afectam o mundo (como ambiente, saúde ou conflitos).

Na mesma linha, o chefe de Estado chinês defendeu que Pequim e Moscovo devem cerrar fileiras contra as atitudes hegemónicas, a mentalidade da Guerra Fria e o unilateralismo.

Tal como Putin, Xi destacou o excelente nível das relações bilaterais, que definiu como uma referência no mundo actual, e mostrou vontade de ampliar a cooperação em diversos sectores, nomeadamente a energia, o comércio, a indústria, a inovação tecnológica, a saúde e o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19.

O encontro anterior entre ambos os chefes de Estado foi no último Verão, quando China e Rússia anunciaram a prorrogação do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável, assinado há 20 anos.

Então, Xi Jinping afirmou que, por via da cooperação estreita entre ambos, os dois países injectaram «energia positiva» na comunidade internacional, num momento em que «o mundo está a entrar num período de turbulência e mudanças, e o desenvolvimento humano enfrenta múltiplas crises».

Por seu lado, o presidente russo defendeu que, num contexto de «crescente turbulência geopolítica, quebra de acordos sobre o controlo de armas, aumento do potencial de conflito em várias partes do mundo, a cooperação russo-chinesa desempenha um papel estabilizador nas questões internacionais».

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