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MST anuncia primeiro envio de medicamentos para Cuba

A campanha de solidariedade com Cuba coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil, enviou um carregamento de 1700 quilos de medicamentos para a Ilha.

O MST enviou um primeiro carregamento com 1700 quilos de medicamentos para Cuba CréditosYuri Gringo / MST

Numa nota divulgada esta terça-feira, o MST explica que, no âmbito da Campanha de Solidariedade a Cuba, os materiais agora enviados começaram a ser recolhidos em Outubro do ano passado e enquadram-se numa lista prioritária do Ministério da Saúde de Cuba, que inclui produtos com maior escassez no atendimento hospitalar à população.

A iniciativa, que tem como lema «Cuba vive e resiste», mantém-se de forma permanente, tendo em conta que o bloqueio imposto pelos EUA ao país caribenho «também é permanente» e se intensificou nos últimos anos, sobretudo com as medidas decretadas por Donald Trump, informaram os organizadores.

Messilene Gorete, do sector internacionalista do MST, explicou que a campanha é «um gesto humanitário da classe trabalhadora do Brasil», visando expressar a solidariedade com Cuba «de forma mais concreta».

«O setor da saúde é um dos mais afetados pelo bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Tem um processo de asfixia de todo o sistema econômico e de algumas frentes estratégicas, entre elas a saúde, com a falta de medicamentos, instrumentos médicos, equipamentos para os hospitais para atender a população cubana», advertiu.

«Por isso, vamos seguir fortalecendo a campanha para enviar medicamentos a Cuba. Ela é prioritária e um dos pilares da nossa prática de solidariedade ao povo cubano», afirmou a representante do MST.

Distribuição por hospitais da província de Santiago

O movimento informou que os medicamentos foram doados directamente ao Ministério cubano da Saúde Pública e de acordo com Marcelo Durão, representante da brigada do MST na Ilha, devem ser distribuídos por hospitais da província de Santiago de Cuba, que foi bastante atingida pelo furacão Melissa em Outubro último.

Durão sublinhou que esta campanha tem uma enorme importância «porque visa suprir a necessidade de medicamentos gerada pelo bloqueio, que impede Cuba de obter as matérias-primas» para os produzir.

Importância da solidariedade e pressão sobre o governo de Lula

«Com o intuito de salvar vidas e prestar solidariedade a um povo que resiste há mais de seis décadas ao bloqueio estadunidense contra Cuba», a campanha conta com o apoio de movimentos populares brasileiros, bem como de intelectuais, simpatizantes, personalidades como Frei Betto, Fernando de Moraes e Celinha Cota, e deputados do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Além do envio de fármacos para Cuba, o MST está a promover, em conjunto com outras organizações do país sul-americano, uma iniciativa mais ampla, visando pressionar o governo brasileiro a enviar petróleo para a Ilha, «por ser uma urgência para a sobrevivência da população cubana e o funcionamento de serviços básicos».

Tendo em conta o impacto das medidas anunciadas pelo actual presidente dos EUA com vista a impedir a entrada de combustível em Cuba, MST e as demais organizações destacam a importância da solidariedade internacional, pedem a Lula da Silva que forme uma «ampla rede de apoio» à Ilha e envie para lá comida e materiais agrícolas, refere o movimento.

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