Entre Janeiro de 2019 e Agosto de 2025, o Centro Europeu de Apoio Jurídico (ELSC, na sigla em inglês) verificou 964 casos de detenções, sanções no local de trabalho, revogações de vistos, investigações universitárias e cancelamentos de eventos relacionados com manifestações de solidariedade para com os palestinianos.
Em parceria com investigadores da Forensic Architecture, o grupo publicou os casos num «Índice de Repressão», uma base de dados pública criada para mapear padrões em diversas instituições, incluindo universidades, entidades patronais, espaços culturais e organismos governamentais.
De acordo com o ELSC, os incidentes reflectem uma pressão coordenada visando enquadrar a defesa da Palestina como uma questão de segurança, em vez de uma posição política legítima.
A organização defende que o impacto se estende dos campus universitários aos locais de trabalho, criando um efeito inibidor na liberdade de expressão pública e configurando um padrão enraizado de «repressão anti-palestiniana».
Entre os muitos casos destacados, está o de um estudante da Universidade de Warwick que foi detido depois de exibir um cartaz de protesto durante uma manifestação no campus, no final de 2023.
A base de dados também menciona a revogação do visto de um estudante da Universidade de Manchester na sequência de comentários feitos à Sky News sobre a guerra genocida de Israel na Faixa de Gaza. A decisão foi revertida num recurso em 2024.
O relatório do ELSC nota ainda o envolvimento de organizações como o UK Lawyers for Israel na apresentação de queixas em múltiplos casos.
Grande apoio à Palestina no Reino Unido
A divulgação destes dados surge numa altura em que as manifestações a favor da Palestina têm atraído multidões por todo o Reino Unido, em plena campanha de genocídio e limpeza étnica levada a cabo por Israel na Faixa de Gaza, iniciada em Outubro de 2023.
O governo britânico, liderado por Keir Starmer, tem enfrentado críticas crescentes pela resposta dada aos protestos a favor da Palestina, incluindo detenções em massa em mobilizações e a repressão exercida sobre grupos de acção directa, refere a PressTV.
Entre estes, conta-se a Palestine Action, que o governo britânico designou como «organização terrorista» em 2025.
Desde então, centenas de pessoas em todo o país foram detidas por protestarem contra a decisão, muitas das quais ostentando cartazes com as palavras «Oponho-me ao genocídio, apoio a Palestine Action».
O grupo lançou uma campanha contra a Elbit Systems UK, criticando a empresa pelo seu papel no fornecimento de armas ao exército israelita durante o genocídio de Gaza.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
