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Os passageiros pagam hoje pelas opções políticas do passado

As empresas privadas do sector rodoviário de passageiros bloquearam, com a conivência de sucessivos governos, «a negociação colectiva, apostando em baixos salários», razão pela qual há uma falta crónica de motoristas.

Os trabalhadores do transporte urbano de passageiros suspenderam o trabalho, na Covilhã,a 31 de Agosto de 2020, até os seus direitos serem reconhecidos pela nova concessionária do serviço
Créditos/ / STRUP

A Carris Metropolitana foi a palha que quebrou as costas do camelo. O aumento muito significativo de oferta do novo projecto metropolitano de transportes públicos (por enquanto, em vigor no distrito de Setúbal), expôs um sector completamente degradado por anos de abusos patronais.

Durante anos, os motoristas foram alvo de sucessivos ataques aos seus direitos: uma brutal desvalorização salarial, a redução de efectivos, horários desregulados, jornadas de trabalho de «10, 12, 14 e mais horas de trabalho», o bloquear da negociação da contratação colectiva com os sindicatos representativos destes trabalhadores, o patronato usou todos os métodos para reduzir custos, refere, em comunicado, a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN).

O que aconteceu com as empresas que detém a concessão do serviço da Carris Metropolitana (a ALSA/TODI e a Transportes Sul do Tejo, TST) é resultado directo deste processo de desvalorização das carreiras: «o patronato apostou», ao longo de vários anos, «na redução de efectivos, compensando isso com o recurso ao trabalho extraordinário», e agora são «os utentes que têm de lidar com um serviço que não corresponde às suas necessidades».

Agora que os novos concursos impõe um aumento da oferta, as empresas não têm condições para dar resposta.

«Os salários não compensam o enorme investimento que é necessário fazer para ter a necessárias habilitação para ser motorista de serviços públicos de passageiros (e também de mercadoria)». Era inevitável, nestas condições, que os trabalhadores optassem por outras profissões.

Os acontecimentos demonstram, segundo a Fectrans, a justeza da posição dos sindicatos:«um serviço público de qualidade assegura-se por empresas públicas, que tenham como objectivo um serviço público de qualidade e não o lucro, que é o objectivo das empresas privadas».

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