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Movimento dos presos alcança vitória frente à «intransigência» israelita

Os reclusos palestinianos, que anunciaram uma nova onda de protestos nas cadeias israelitas, a partir desta sexta-feira, fizeram saber, na véspera, que os cancelavam, por terem alcançado uma «vitória».

Créditos / Al Mayadeen

O movimento dos prisioneiros palestinianos anunciou, ontem à tarde, que suspendia a greve de fome por tempo indeterminado que era para ter início esta sexta-feira, em protesto contra as medidas repressivas que lhes são aplicadas.

Num comunicado a que a Al Mayadeen faz referência, o movimento sublinha que, «depois de a ocupação israelita ter percebido que a causa dos prisioneiros está profundamente enraizada na consciência dos palestinianos, foi forçada a anular todas as medidas impostas» contra eles.

O movimento afirma que a «vontade férrea dos prisioneiros provou – como sempre o fez – que é capaz de responder à agressão israelita», destacando que parou as «tentativas israelitas de minar as acções dos presos».

Sublinhou igualmente que foram conquistados vários avanços ao nível das reivindicações e apelou às facções palestinianas para que ponham fim a quaisquer divisões e consolidem a unidade nacional, frente à ocupação israelita.

Serviços prisionais israelitas aceitaram exigências

O Gabinete de Informação dos Presos confirmou que os serviços prisionais israelitas tinham acedido às reivindicações dos presos palestinianos em diversas áreas.

Qadri Abu Bakr, dirigente da Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos referiu-se às conquistas dos presos como uma «vitória», sublinhando que «foram capazes de forçar os serviços prisionais israelitas a reconhecer as suas exigências relativas à vida diária e a necessidades de cuidados de saúde».

«A firmeza e a unidade do movimento dos presos ensinaram uma lição à ocupação», destacou Abu Bakr em comunicado, citado pela WAFA.

Facções palestinianas louvam vitória

As comissões da resistência deram os parabéns aos prisioneiros pela vitória alcançada, sublinhando que estarão sempre ao seu lado.

Awad al-Sultan, da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), louvou as conquistas alcançadas após uma longa batalha, algo que, frisou, se vem juntar ao «registo heróico» do movimento dos prisioneiros.

Por seu lado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, destacou a capacidade, mais uma vez provada, de o movimento confrontar os serviços prisionais da ocupação e deles retirar direitos.

Escalada repressiva nas cadeias israelitas

Há uma semana, o Comité Supremo Nacional de Emergência, que integra os reclusos das diversas facções palestinianas, informou em comunicado que os prisioneiros iriam iniciar uma nova onda de protestos contra as medidas punitivas adoptadas contra eles.

«À luz da intransigência da administração penitenciária da ocupação e do fracasso em responder às nossas exigências para travar as medidas contra nós, vamos prosseguir com a nossa batalha até ao fim, para alcançar os nossos direitos e a liberdade», referia o texto.

Com esta luta, os presos pretendiam manter conquistas alcançadas ao longo de décadas de luta, indicou o Clube dos Prisioneiros Palestinianos (CPP), bem como travar a escalada repressiva que se verifica nos cárceres israelitas desde Setembro do ano passado, na sequência da fuga de seis palestinianos da prisão de máxima segurança de Gilboa.

De acordo com o CPP, há mais de 4500 prisioneiros palestinianos nas cadeias israelitas, incluindo 32 mulheres e 180 menores.

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