O boletim publicado pelo Ministério argentino da Saúde mostra que em 2024, primeiro ano completo do governo «libertário», se verificaram 3513 mortes de bebés com menos de um ano e que a taxa de mortalidade infantil passou de oito para 8,5 por cada mil nados-vivos entre 2023 e 2024.
Considerando que se trata do «indicador mais sensível da situação social de um país», o Tiempo Argentino indica que o número de mortes verificado em 2024 até foi inferior ao registado em 2023 no país austral, mas a taxa de mortalidade é superior porque houve menos 47 mil nascimentos.
«A nutrição, o acesso à água potável, a vacinação ou os cuidados de saúde primários costumam ser as barreiras de protecção que falham para que a taxa de mortalidade infantil suba», destaca o órgão noticioso argentino.
Em declarações a El Destape, a médica Alicia Stolkiner explicou que «as mortes infantis (até um ano de idade) e as mortes neonatais (nos primeiros 27 dias) são agrupadas em inevitáveis (de bebés nascidos com patologias incompatíveis com a vida), redutíveis com intervenções altamente complexas e redutíveis com cuidados primários e preventivos».
Ainda a este propósito, acrescentou: «As principais causas identificadas são a "mortalidade perinatal evitável" e a "mortalidade evitável durante o parto"; ou seja, dependentes de cuidados médiclos.»
«Nas pós-neonatais, as mortes evitáveis que podem ser reduzidas através de medidas secundárias e primárias são as principais causas. Todas elas estão relacionadas com os cuidados coordenados que abordam as condições de vida e o acesso a serviços de saúde adequados», disse a especialista em epidemiologia.
Preocupação entre médicos e académicos
Referindo-se à inquietação que esta subida gera no seio da comunidade médica e académica, o portal Urgente24 cita o ex-ministro da Saúde Adolfo Rubinstein, que afirmou que «na maioria dos países, incluindo a Argentina, se observa uma diminuição dessa taxa nas últimas décadas».
«Por isso, o aumento, para lá da dimensão, é muito preocupante, já que quebra esta tendência secular», advertiu o mestre em Epidemiologia.
Rubinstein associou o problema directamente ao contexto social: «Estes números de 2024 são atribuíveis principalmente ao aumento da pobreza e às suas consequências sócio-sanitárias, que começaram durante a pandemia e se tornaram perceptíveis com a governo de Alberto Fernández, agravando-se com a administração de Javier Milei», disse.
Por províncias, as que registaram a maior subida da taxa de mortalidade infantil foram Corrientes (de 7,5 para 14); Chaco (11,8); La Rioja (11,7); Misiones (9,5), enquanto na Cidade de Buenos Aires se verifica a taxa mais baixa: 4,9.
Igualmente citado pelo portal Urgente24, Fernando Zingman, antigo responsável da Saúde na UNICEF Argentina, alertou para o desmantelamento de políticas: «O papel preponderante do Ministério da Saúde diminuiu, e o número de funcionários responsáveis por ele também diminuiu. Cada província tenta agora resolver o problema de forma independente», afirmou.
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