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Presos palestinianos intensificam protestos nas cadeias israelitas

Os protestos seguem-se ao estado de «mobilização geral» decretado pelos presos no dia 6 e visam denunciar uma nova série de medidas punitivas adoptadas pelos serviços penitenciários israelitas.

As várias facções da resistência palestiniana uniram-se nos protestos contra a «escala de repressão» nas cadeias israelitas; na imagem, de arquivo, presos no cárcere de Ofer, a norte de Jerusalém ocupada 
As várias facções da resistência palestiniana uniram-se nos protestos contra a «escala de repressão» nas cadeias israelitas; na imagem, de arquivo, presos no cárcere de Ofer, a norte de Jerusalém ocupada Créditos / PressTV

Centenas de presos palestinianos têm-se recusado a sair das suas celas desde dia 6, num contexto de tensão crescente com as autoridades prisionais israelitas, que, segundo denuncia a Sociedade dos Presos Palestinianos, estão a levar a cabo uma «escalada repressiva» nos cárceres.

Neste contexto, a Comissão dos Assuntos dos Presos e ex-Presos Palestinianos referiu que as autoridades israelitas estão a enviar reforços para as cadeias, com o intuito de reprimir os protestos.

Qadri Abu Bakr, dirigente da Comissão, descreveu as medidas recentes como «punição colectiva». «Os serviços prisionais israelitas continuam a reprimir os presos e a tirar-lhes aquilo que alcançaram táo duramente ao longo dos anos, que são simplesmente direitos», disse, citado pela PressTV.

As várias facções da resistência palestiniana uniram-se nos protestos contra a repressão nas cadeias, que foram anunciados há uma semana, depois de as autoridades israelitas terem voltado atrás nos acordos alcançados com os presos palestinianos em Setembro do ano passado, referiu a comissão.

Nesse mês, seis presos palestinianos tinham conseguido escapar da prisão israelita de alta segurança de Gilboa. Como represália, Israel aplicou medidas repressivas generalizadas nas cadeias contra os demais presos, o que levou a diversos confrontos.

Posteriormente, representantes dos presos e autoridades israelitas chegaram a «vários entendimentos», de que as últimas se desvincularam agora, provocando uma nova onda de protestos, indica a WAFA.

Mais de 500 palestinianos detidos em Janeiro

As forças de ocupação israelitas detiveram 502 palestinianos no mês passado – 54 dos quais crianças, uma delas com menos de 12 anos –, afirmaram várias organizações palestinianas de defesa dos direitos dos presos, num comunicado conjunto divulgado esta sexta-feira.

Os organismos destacaram o facto de as forças de ocupação continuarem «a visar os estudantes universitários palestinianos» pelas actividades que desenvolvem nas universidades.

«O número de detidos palestinianos nos cárceres israelitas rondava os 4500 no final de Janeiro, incluindo 34 mulheres, 180 menores e cerca de 500 ao abrigo da detenção administrativa», refere o texto, citado pela WAFA.

No que respeita aos reclusos detidos ao abrigo do regime de detenção administrativa – sem acusação, nem julgamento e que é considerado ilegal pelo direito internacional –, mantém-se o boicote que iniciaram há 43 dias contra os tribunais militares israelitas.

Com o lema «A nossa decisão é a liberdade», refere o portal palinfo.com, os presos administrativos afirmaram em comunicado que esta acção dá seguimento aos esforços dos palestinianos, há muito iniciados, «para acabar com a detenção administrativa injusta praticada contra o nosso povo pelas forças de ocupação».

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