Com as iniciativas desenvolvidas esta quinta-feira à noite na Corunha, Ferrol, Lugo, Compostela, Pontevedra, Vigo e Ourense, a plataforma Galiza pola Paz pretendia denunciar a ofensiva do imperialismo e os planos de rearmamento da União Europeia (UE), «que ameaçam a paz mundial e têm graves consequências para o povo galego».
Entre outros aspectos, a plataforma chamou a atenção para as ameaças e as agressões recentes dos Estados Unidos contra diversos países e territórios (Nigéria, Venezuela, Cuba, Palestina, Irão, Gronelândia), e denunciou «a obsessão europeia com uma hipotética guerra no Leste», refere a Confederação Intersindical Galega (CIG) no seu portal.
Mudança de paradigma
A este propósito e tendo em conta as versões que consideram que «o problema» reside no facto de os EUA terem agora um «presidente caprichoso», a Galiza pola Paz fez questão de sublinhar que estamos a assistir a uma mudança de paradigma, com implicações ao nível das relações internacionais, no qual deixa de contar a aparência de normalidade da chamada «ordem mundial baseada em regras» e passa a vingar a lei do mais forte.
Num manifesto lido no final das mobilizações, a plataforma que integra três dezenas de organizações disse que «estamos perante uma aceleração sem precedentes do imperialismo, precisamente quando o seu domínio quase absoluto das últimas décadas está mais ameaçado devido ao aparecimento de novas estruturas multipolares capazes de operar fora da ordem piramidal que emergiu do fim da Segunda Guerra Mundial».
Programa ReArm Europe
Enquanto isto ocorre, os países-membros da UE mantêm a sua «obsessão com uma hipotética guerra a Leste e com o «temos de nos preparar para ela», sem qualquer discussão pública e quase sem oposição, criticou a plataforma, denunciando que, em vez de apostar na via diplomática e nas relações em pé de igualdade com os povos do mundo, a UE lançou o programa ReArm Europe.
Com isso, os estados-membros têm de gastar um dinheiro que não têm a comprar armamento e tecnologia militar aos fornecedores de sempre, destinando 800 mil milhões de euros além do que já gastam «nos orçamentos de guerra», criticou a Galiza pola Paz, sublinhando que as verbas que se dirigem para a mal chamada «defesa» são retiradas à saúde, à educação, às pensões, aos serviços públicos e à luta contra as alterações climáticas.
Custos para a Galiza
No que respeita à Galiza, a plataforma alertou que, com o plano ReArm Europe, o território teria de adicionar 4,8 mil milhões de euros aos cerca de 1,8 mil milhões que já hoje destina às despesas militares.
Para se ter uma noção destas «verbas enormes», a Galiza pola Paz referiu que «4,8 milhões de euros dariam para financiar toda a saúde pública durante um ano», permitiriam cobrir quase dois anos da despesa actual no ensino público, multiplicariam por cinco o orçamento destinado às políticas sociais ou dariam para construir 40 mil casas públicas.
A plataforma denunciou ainda que este plano de rearmamento aprofunda o papel de subalternidade da Galiza, uma «colónia» de onde se pretende extrair recursos minerais críticos para a indústria militar e onde o Estado espanhol coloca instalações militares «ao serviço da NATO e da sua agenda imperialista».
Soberania em causa
«No meio da guerra mediática para normalizar a guerra e fazer alastrar o medo», a Galiza pola Paz sublinhou que «desviar 800 mil milhões de euros para a indústria da guerra não vai melhorar as nossas vidas».
«E militarizar a sociedade seguindo os interesses do imperialismo e abrir caminho ao fascismo também não. Pelo contrário, isso privar-nos-á do direito de defender a nossa terra e a nossa soberania sobre os nossos recursos naturais, além de nos impedir de participar directamente na construção do nosso futuro», alertou.
«Nem mais um euro»
Neste sentido, a plataforma exige a suspensão imediata do aumento das despesas militares e a rejeição do plano ReArm Europe, bem como a saída do Estado espanhol da NATO e o regresso das tropas destacadas em missões da NATO.
Reclama uma política externa baseada «no respeito pelo direito à autodeterminação, pela soberania dos povos e das nações», de modo a garantir «relações de igualdade, cooperação e paz».
Exige que o povo galego possa decidir livremente o seu papel no mundo, deixando de «ser usado como colónia para extracção de recursos para a guerra ou como plataforma militar».
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