Numa conferência online, realizada no passado dia 27 de Janeiro, as cinco organizações sindicais que promovem a jornada de luta desta sexta-feira nos portos europeus e mediterrânicos confirmaram a sua realização, na sequência de um apelo que haviam lançado no final de Dezembro último.
Por seu lado, esse apelo a «uma jornada internacional conjunta de acção nos portos», vindo a público no contexto da militarização crescente da Europa, seguiu-se ao lançamento da declaração «Os estivadores não trabalham para a guerra», firmada a 26 de Setembro, em Génova, por sindicatos de Itália, Grécia, Marrocos, Turquia e País Basco.
Com a jornada internacional de luta de amanhã, os trabalhadores portuários assumem a oposição à militarização crescente das infra-estruturas portuárias, bem como a denúncia da cumplicidade dos governos e das administrações dos portos com o genocídio ainda em curso em Gaza.
«Se não dermos este passo, todas as nossas outras reivindicações serão esmagadas pela guerra», alertou na conferência Francesco Staccioli, da Unione Sindacale di Base (USB).
Os promotores querem garantir que os portos europeus e mediterrânicos sejam locais de paz, livres de qualquer envolvimento na guerra, e, nesse sentido, apelam ao bloqueio de todos os envios de armas dos seus portos para zonas de guerra.
«Os estivadores enviam um forte sinal de solidariedade internacional contra a militarização dos portos, o genocídio em curso na Palestina, o tráfico de armas e a corrida desenfreada para a guerra», lê-se no portal da USB, a propósito da jornada de protesto.
«No cerne estão as condições de trabalho»
«Uma mensagem poderosa contra o imperialismo e a violação do direito internacional, e em defesa da autodeterminação dos povos», afirma o texto divulgado, no qual se sublinha que «no cerne do protesto estão as condições de trabalho».
Representantes da USB deixaram claro que as mobilizações em curso contra o genocídio, a militarização e o imperialismo norte-americano são indissociáveis das lutas dos trabalhadores, e é nesse sentido que o texto afirma: «A economia de guerra já reduziu os nossos salários, erodiu os nossos direitos e destruiu serviços públicos essenciais.»
«A transferência de recursos económicos para o armamento e para a indústria de guerra atinge directamente os salários e as condições de trabalho, aumenta os horários, e diminui a possibilidade de o nosso trabalho ser reconhecido como árduo para efeitos de reforma», explica o texto divulgado pela USB.
Acção organizada e internacionalista
Na conferência de lançamento, a questão das condições laborais foi um tema comum à intervenção dos representantes sindicais, indica o Peoples Dispatch. Os estivadores de Mersin, na Turquia, e do Pireu, na Grécia, destacaram que a situação se agrava de dia para dia e só pode ser travada por via da acção organizada e internacionalista.
Se os trabalhadores portuários se unirem, «os portos tornar-se-ão uma barreira contra a guerra, não corredores de entregas de armas», frisaram sindicalistas do Porto do Pireu.
Em Itália, pelo menos 11 portos confirmaram a participação nesta jornada de luta, que terá também expressão em portos bascos, gregos, turcos e marroquinos, promovida pelos sindicatos USB (Itália), Enedep (Grécia), ODT (Marrocos), Liman-Is (Turquia) e LAB (País Basco).
Trabalhadores de portos na Alemanha e nos Estados Unidos também anunciaram acções de mobilização para esta sexta-feira, enquanto organizações sindicais de vários pontos do mundo enviaram mensagens de apoio e solidariedade aos promotores.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
