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Nova vaga de solidariedade com a Venezuela em Itália

A um mês do sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua esposa, Cilia Flores, por forças dos EUA, dezenas de cidades italianas mobilizaram-se em solidariedade com o país sul-americano.

Por toda a Itália, em dezenas de mobilizações, jovens, estudantes e partidos de esquerda solidarizaram-se com a Venezuela, denunciaram a investida imperialista e exigiram a libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores Créditos / Cambiare Rotta / Peoples Dispatch

Sob o lema «Bring them home» [tragam-nos para casa], que anima a campanha internacional pela libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, dezenas de cidades do país transalpino foram palco de iniciativas de apoio ao processo bolivariano, esta terça-feira, a um mês do ataque militar norte-americano à Venezuela.

Estas acções descentralizadas foram um primeiro passo a caminho da assembleia nacional que terá lugar em Roma no próximo domingo, sob a designação «Construamos a solidariedade contra a nova Doutrina Monroe, ao lado da Venezuela e da Nossa América», e inserem-se na mobilização permanente contra a guerra e o rearmamento na Europa, indica o Peoples Dispatch.

Os estudantes e os jovens constituíram uma parte significativa dos participantes nas manifestações desta terça-feira. «Em resposta à acção militar dos Estados Unidos, uma clara expressão do seu desejo de reafirmar o controlo sobre o continente, unimo-nos mais uma vez à Revolução Bolivariana […] contra o imperialismo norte-americano e para exigir a libertação imediata de Maduro e Flores», afirmaram as organizações juvenis de esquerda Cambiare Rotta e OSA.

Ameaça imperialista contra toda a América Latina

Estas e outras organizações denunciaram igualmente as ameaças e os ataques da administração liderada por Donald Trump contra outros países da América Latina, particularmente Cuba e Colômbia, alertando que a estratégia está enraizada no imperialismo, que prejudica as pessoas em todo o mundo.

Marta Collot, porta-voz do partido Potere al Popolo, sublinhou que os protestos visavam também opor-se a um «modelo baseado no extractivismo que procura apropriar-se dos recursos de outros países».

«As ambições dos Estados Unidos não se limitam à Venezuela, mas dizem respeito a todos os países da Nossa América, que devem ser transformados em meros territórios de onde se possam explorar recursos, do petróleo às terras raras, dos imensos recursos de água doce a uma força de trabalho "descartável"», alertou o Potere al Popolo no seu portal.

Com o seu processo de transformação socialista, «a Venezuela foi sempre uma pedra no sapato dos Estados Unidos e dos seus parceiros ocidentais, contra a qual lançaram todas as armas da guerra híbrida, desde a guerra económica à guerra convencional, incluindo a guerra cognitiva», acrescentou o partido de esquerda.

A América Latina não se rende

Numa mobilização em Turim, activistas do Potere al Popolo condenaram o ataque, «que não foi apenas uma tentativa de se apoderar do petróleo da Venezuela, um petróleo nacionalizado, mas também uma tentativa de restaurar a hegemonia norte-americana sobre a América Latina, que os EUA continuam a considerar o seu quintal».

«Mas a América Latina não se verga às ambições imperialistas dos EUA», acrescentaram. «Resiste, como demonstram as multidões em Caracas, onde o povo venezuelano não está a celebrar, como os nossos meios de comunicação subservientes querem fazer crer, mas antes a lutar ruidosamente pela libertação do presidente Maduro e da primeira combatente», destacaram.

«Estamos aqui para dizer mais uma vez: mãos fora da Venezuela», disse Collot. «Hoje, enfrentamos um paradoxo em que Trump não só se permite raptar o presidente Maduro, como também ameaça metade do mundo, desde a Cuba socialista ao Irão, à Colômbia e até à Gronelândia», alertou, frisando a necessidade de que tudo isto acabe.

«Precisamos de mudar de rumo e de nos centrarmos em políticas que realmente apoiem os trabalhadores e os povos, promovam a solidariedade e se oponham à agenda belicista que nos está a empurrar para a beira da Terceira Guerra Mundial», afirmou.

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