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Ocupação israelita violou o cessar-fogo 1520 vezes em Gaza

O gabinete de imprensa do governo no enclave palestiniano revelou esta quarta-feira que, em 115 dias, as forças de ocupação cometeram 1520 violações ao acordo de cessar-fogo.

Crianças palestinianas no meio dos escombros de edifícios destruídos por ataques israelitas na Cidade de Gaza, no final de Janeiro de 2026 Créditos / PressTV

Como resultado da quebra sistemática do direito internacional humanitário e dos termos acordados na trégua, em vigor desde 10 de Outubro de 2025, pelo menos 556 palestinianos perderam a vida e outros 1500 ficaram feridos, indicou o gabinete.

O relatório refere que, num espaço de 115 dias, houve 522 incidentes com disparos de armas de fogo, 73 incursões de veículos militares em zonas residenciais, 704 ataques aéreos e ataques direccionados, e 221 demolições de casas e outras estruturas edificadas.

De acordo com o gabinete de imprensa, referido pelo portal palinfo.com, 99% das vítimas mortais eram civis, incluindo 288 idosos, mulheres e crianças, além de 268 homens.

Dos 1500 feridos registados, mais de 900 eram crianças, mulheres e idosos, muitos dos quais foram atingidos em áreas residenciais e distantes de «linhas da frente». Os civis representam 99,2% dos feridos, precisa o texto.

Só na quarta-feira, as forças de ocupação mataram 24 palestinianos na Faixa de Gaza, revelaram fontes hospitalares – sete no Sul do enclave, dois na região central e 15 no Norte –, com a Wafa a registar novas vítimas de ataques israelitas também ontem e a indicar que, desde o começo da trégua, pelo menos 574 palestinianos foram mortos pela ocupação.

Entrada de ajuda limitada

No respeitante a ajuda, bens essenciais e combustível, o gabinete de imprensa revelou que, dos 69 mil camiões que deveriam ter entrado no território, apenas 43% o fizeram. No que respeita aos camiões com combustível, apenas entrou no enclave 14% do volume que havia sido acordado nos termos da trégua.

O texto destaca igualmente que as autoridades da ocupação não cumpriram outras obrigações do protocolo humanitário, nomeadamente no que se refere à entrada de tendas, abrigos, medicamentos ou máquinas pesadas para remoção de escombros.

Passagem de Rafah longe de operar em pleno

Com cerca de 20 mil pessoas a aguardar autorização para sair do enclave e realizar tratamento no estrangeiro, apenas 16 puderam sair nos primeiros dois dias após a propalada abertura do «corredor de controlo». Na quarta-feira, um responsável do Crescente Vermelho palestiniano informou que Israel tinha cancelado novas autorizações de saída, sem que fossem adiantadas justificações.

A este propósito, a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (Unrwa) alertou que a impossibilidade de operar em pleno a passagem fronteiriça de Rafah no máximo da sua capacidade vai prolongar a situação humanitária na Faixa de Gaza.

Em declarações a um canal de TV, Jonathan Fowler, porta-voz da organização, sublinhou que a ausência de melhorias significativas em Gaza resultará inevitavelmente em mais mortes.

«Se uma passagem como Rafah não puder funcionar em grande escala, as consequências humanitárias no terreno não serão atenuadas com rapidez suficiente. Isto significa mais vidas perdidas», alertou.

«As evacuações médicas continuam a ser muito limitadas e o fluxo de ajuda está muito aquém do necessário, enquanto o sistema de saúde de Gaza entrou em colapso e as necessidades humanitárias são enormes», acrescentou Fowler.

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