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Palestinianos celebram a «vitória» do fim da agressão israelita

Em Jerusalém Oriental, na Margem Ocidental e em Gaza os palestinianos festejaram o anúncio de cessar-fogo declarado por Telavive e aceite pela resistência palestiniana, que entrou em vigor esta madrugada.

Milhares de palestinianos vieram para as ruas festejar o fim da agressão sionista à Faixa de Gaza 
Milhares de palestinianos vieram para as ruas festejar o fim da agressão sionista à Faixa de Gaza Créditos / independent.co.uk

Na Faixa de Gaza cercada, submetida a intensos bombardeamentos durante 11 dias, que provocaram pelo menos 234 mortos e mais de 1700 feridos, milhares de pessoas vieram para as ruas, enquanto em Jerusalém Oriental e na Margem Ocidental ocupadas a população lançou fogo de artifício, revela a PressTV.

A Agência de Notícias do Médio Oriente (MENA) informou que o cessar-fogo «mútuo e simultâneo» entraria em vigor às 2h desta madrugada (hora da Palestina). A iniciativa, patrocinada pelo Egipto, ocorre pouco depois de o governo israelita ter informado o executivo egípcio da intenção de pôr fim à escalada de violência, segundo revelaram a cadeia Al Jazeera e meios de informação israelitas.

Osama Hamdan, representante do Hamas, afirmou que os grupos da resistência tinham recebido garantias da parte dos mediadores egípcios de que iriam cessar os ataques israelitas contra Gaza, e o Bairro de Sheikh Jarrah e a Mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém.

Os bombardeamentos sobre a Faixa de Gaza cercada, iniciados a 10 de Maio, seguiram-se a semanas de forte violência no complexo da Mesquita de al-Aqsa e no Bairro de Sheikh Jarrar, por parte de forças israelitas e colonos. As facções da resistência responderam lançando centenas de rockets para os territórios ocupados pelas forças sionistas em 1948.

Biden declara apoio a Israel

O presidente norte-americano, Joseph Biden, disse esta quinta-feira que falou com Netanyahu depois de o cessar-fogo ter sido anunciado, tendo reafirmado ao primeiro-ministro israelita o apoio total dos EUA contra a resistência palestiniana em Gaza.

O chefe de Estado também garantiu a Netanyahu que os EUA irão fornecer a Israel os mísseis necessários ao seu sistema de defesa Cúpula de Ferro (Iron Dome, em inglês), refere a PressTV.

Ao longo dos 11 dias do massacre a Gaza, os EUA reiteraram o apoio a Israel e ao «seu direito a defender-se» (em alusão aos rockets lançados pelos grupos da resistência palestiniana) e bloquearam tentativas sucessivas de aprovar uma declaração no Conselho de Segurança das Nações Unidas a apelar ao cessar-fogo.

Biden disse ainda que irá trabalhar com a Autoridade Palestiniana, que «governa» (é uma forma de dizer) na Margem Ocidental ocupada.

Crimes de guerra perpetrados por Israel não teriam lugar sem o apoio dos EUA

Em declarações à PressTV esta sexta-feira, Marjorie Cohn, comentadora política e professora emérita na Thomas Jefferson School of Law, em San Diego (Califórnia), sublinhou que as autoridades israelitas não poderiam cometer vários crimes de guerra contra os palestinianos, nomeadamente os mais recentes, na Faixa de Gaza e em Jerusalém, se não tivessem recebido carta branca dos Estados Unidos.

«O governo dos EUA dá a Israel 3,8 mil milhões em ajuda militar anualmente, e protege-o de forma consistente das críticas no Conselho de Segurança», afirmou.

Cohn denunciou ainda os dois pesos e duas medidas dos Estados Unidos em relação ao chamado «conflito». «Enquanto a administração Biden aponta o direito de Israel a defender-se, não diz nada sobre o dos palestinianos à sua defesa», disse 

«Na verdade, ao abrigo do direito internacional, os palestinianos têm o direito legal a resistir à ocupação israelita mas Israel, enquanto potência ocupante, não tem o direito de utilizar a força militar em sua defesa contra os territórios ocupados», frisou.

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