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Preso palestiniano de 23 anos morre numa cadeia israelita

Na nota em que dá conta do falecimento de Nour Jaber Barghouti, esta quarta-feira, a Sociedade dos Presos Palestinianos acusa os serviços prisionais israelitas de «serem responsáveis», por «negligência».

Mural solidário com os presos palestinianos numa rua de Belfast, no Norte da Irlanda
Mural solidário com os presos palestinianos numa rua de Belfast, no Norte da Irlanda CréditosBen Kerckx / 972mag.com

Barghouti, natural da aldeia de Aboud (Margem Ocidental ocupada) e que cumpria uma pena de oito anos por «resistência à ocupação israelita», caiu inconsciente, esta quarta-feira, numa casa de banho da prisão israelita de Naqab, informou a Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP).

Quando os outros prisioneiros se aperceberam de que Barghouti estava inanimado, começaram a gritar por ajuda, mas a «administração prisional demorou mais de meia hora a prestar assistência médica» ao preso.

O jovem foi então declarado morto, refere a nota – citada pela Palestine Chronicle e a PressTV –, na qual a SPP acusa os serviços prisionais israelitas de serem responsáveis pela morte de Barghouti.

Vários responsáveis políticos palestinianos denunciaram este «novo crime» perpetrado por Israel, bem como a «política de negligência médica» que leva a efeito contra os prisioneiros palestinianos.

Recentemente, diversas organizações, a nível internacional, têm expressado preocupação com a situação dos presos palestinianos sob custódia israelita, nomeadamente por causa da pandemia do novo coronavírus.

«Quadro institucionalizado de negligência médica»

Numa nota que emitiu a propósito do Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinianos – 17 de Abril –, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) chamava precisamente a atenção para o facto de que «as condições de detenção dos palestinianos nas prisões israelitas não cumprem as normas internacionais mínimas estabelecidas pelo direito humanitário internacional», e denunciava «o quadro institucionalizado de negligência médica por parte das autoridades de Israel».

Se os presos palestinianos encerrados nas prisões israelitas enfrentam a «ameaça acrescida» à sua saúde e às suas vidas resultante da pandemia de Covid-19, esta é agravada pela «recusa reiterada» das autoridades israelitas em prestar «serviços médicos adequados aos prisioneiros palestinianos», denunciava o texto.

Um relatório referente a 2019, elaborado pela Sociedade dos Presos Palestinianos (SPP), pela Addameer – Associação de Apoio e Direitos Humanos dos Presos e pela Comissão de Assuntos dos Presos e ex-Presos, dava conta da utilização da tortura, por parte das forças israelitas, como «instrumento de vingança e coacção» sobre os presos.

De acordo com o informe, 95% dos detidos são submetidos a tortura, nas várias fases da detenção, e cinco presos perderam a vida em cadeias israelitas em 2019, como consequência das «políticas sistemáticas de tortura e morte lenta», que incluem «a demora ou a negação de tratamento médico», bem como a utilização do «acesso a cuidados médicos como táctica de coacção».

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