Na sua conta de Twitter (X), Miguel Díaz-Canel lembrou que, a 3 de Fevereiro de 1962, o então presidente dos EUA, John F. Kennedy, «assinou e tornou oficial a política de cerco económico a Cuba», um embargo total que, com o tempo, se foi transformando num instrumento de máxima pressão.
«Doze administrações de ambos os partidos [democrata e republicano] foram-na transformando num bloqueio genocida», afirmou Díaz-Canel, que citou Fidel Castro ao indicar que «a isto se chama guerra económica».
Também Bruno Rodríguez, ministro dos Negócios Estrangeiros, assinalou a data na rede social, lembrando que, 64 antes, Kennedy tinha decretado um embargo total ao comércio entre os EUA e Cuba.
Hoje, «o governo dos Estados Unidos pretende fazer a humanidade cúmplice de um terrível bloqueio de petróleo» contra Cuba, «com consequências humanitárias sem precedentes», denunciou.
Rodríguez referiu ainda que, ao longo de todo este tempo, o sofrimento do povo cubano «foi um negócio rentável para políticos anti-cubanos», que enriquecem com fundos públicos norte-americanos.
Ambas as declarações foram proferidas no contexto da mais recente escalada de agressão norte-americana contra a Ilha, marcada pela assinatura, no passado dia 29 de Janeiro, de uma ordem executiva que declara Cuba como uma «ameaça inusual e extraordinária» à segurança dos Estados Unidos, e que pretende bloquear o fornecimento de petróleo à maior das ilhas Antilhas por via da imposição de tarifas aos países que o fizerem.
A medida foi classificada pelo governo cubano como uma violação flagrante do direito internacional e uma ameaça humanitária sem precedentes contra a população do país.
Nova escalada agressiva dos EUA denunciada na ONU
Também na terça-feira, Cuba denunciou na sede da ONU em Viena a mais recente escalada da política hostil da administração norte-americana, classificando-a como um acto de agressão contra o país, refere o diário Granma.
O posicionamento foi comunicado por Karlen Regaiferos, segundo secretário da Missão de Cuba, no decorrer da 63.ª sessão da Subcomissão Científica Técnica do Comité das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (Copuos).
Na sua intervenção, o diplomata associou a ordem executiva norte-americana ao cerco económico historicamente imposto a Cuba, tendo afirmado que estas medidas, juntamente com a inclusão da Ilha na lista unilateral norte-americana de «Estados Patrocinadores do Terrorismo», constituem o principal obstáculo à sua plena participação na cooperação espacial internacional.
«Uma mentira extraordinária»
Numa pequena entrevista publicada pelo Brasil de Fato esta terça-feira, Adolfo Curbelo Castellanos, embaixador cubano em Brasília, acusa a actual administração norte-americana de querer «praticar um genocídio contra o povo de Cuba».
«O bloqueio agora intensificado com esta medida de impedir que entre em Cuba uma gota de petróleo é uma medida que se qualifica como genocídio de acordo com a convenção», sublinhou o diplomata.
Sobre a declaração de Cuba como «uma ameaça inusual», Castellanos disse que «é uma mentira extraordinária», explicando que «Cuba não ameaça ninguém» e que os argumentos invocados ou esgrimidos na ordem executiva recentemente firmada por Donald Trump «são falsos de toda falsidade».
«Cuba não abriga, Cuba rejeita o terrorismo. Cuba, de fato, tem sido vítima do terrorismo vindo dos Estados Unidos, onde eles protegeram terroristas de origem cubana e próprios norte-americanos que atentaram contra nosso país», disse ao portal brasileiro.
E acrescentou: «Cuba coopera, Cuba não é uma ameaça para ninguém. A única ameaça que há aqui realmente é a política, a atitude e a conduta do governo dos Estados Unidos, não só para com Cuba, mas para com o conjunto da região.»
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