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Combates e ameaças de retaliação regressam ao Iémen com o fim da trégua

O movimento de resistência Ansarullah responsabiliza a coligação liderada pela Arábia Saudita pelo falhanço na renovação da trégua, que conduzirá à deterioração da situação humanitária no Iémen.

Bomba de gasolina em Ta'izz, Iémen, a 27 de Agosto de 2022 
Bomba de gasolina em Ta'izz, Iémen, a 27 de Agosto de 2022 Créditos / PressTV

A trégua, que entrou inicialmente em vigor a 2 de Abril deste ano, foi renovada a 2 de Junho e 2 de Agosto. Então, o enviado especial da ONU para o Iémen, Hans Grundberg, disse que prolongamento do período de cessar-fogo, até 2 de Outubro, «inclui o compromisso das partes de intensificarem as negociações com vista a alcançarem um acordo de trégua abrangente o mais rapidamente possível». Mas isto não se verificou.

Mohammed Abdul-Salam, representante do movimento Huti Ansarullah, disse que «a coligação agressora é responsável pelo falhanço em prolongar o acordo e agravar as condições humanitárias do país».

Numa conversa telefónica com David Gressly, coordenador humanitário das Nações Unidas para o Iémen, o representante acrescentou que o movimento Ansarullah mantinha o seu posicionamento no que respeita a questões como o pagamento de pensões e salários a funcionários públicos e o fim das restrições arbitrárias impostas ao Porto de Hudaydah e ao Aeroporto Internacional de Saná.

Também esta segunda-feira, o ministro iemenita dos Negócios Estrangeiros, Hisham Sharaf Abdullah, acusou a coligação liderada pelos sauditas de «falta de seriedade» – refere a PressTV – «no que respeita ao avanço para um acordo político de paz abrangente e sustentável».

Abdullah afirmou que os acontecimentos provam que os alertas feitos pelo governo de Saná eram válidos e que os sauditas jogavam com a trégua para conduzir o Iémen a um «estado de morte clínica», em que prevalecia a guerra e não a paz.

No sábado, véspera do fim do cessar-fogo, o movimento Ansarullah emitiu um comunicado fazendo um balanço dos últimos meses, afirmando que «não existiu uma vontade séria de encarar as questões humanitárias como a principal prioridade» e acusando a coligação liderada pelos sauditas de bloquear as negociações que trariam «alívio ao sofrimento do povo iemenita».

Confirmação do fim do cessar-fogo, ameaças e crise humanitária

No domingo, pouco antes do fim da trégua alcançada sob os auspícios da ONU entre a coligação liderada pelos sauditas e o movimento Huti Ansarullah, representantes destes últimos avisaram que tomariam medidas de retaliação caso Riade continuasse a impor um bloqueio ao Iémen e a saquear os seus recursos – iniciativas de agressão em que têm tido a colaboração dos EUA, do Reino Unido, da França, de Israel, entre outras potências mundiais e regionais.

No Twitter, o brigadeiro-general Yahya Saree, das Forças Armadas do Iémen, disse que, se a coligação saudita e emiradense continuasse a privar o povo iemenita dos seus recursos, as forças militares do Iémen iriam privá-los dos seus.

Saree deu ainda às empresas petrolíferas que operam na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos «uma oportunidade para organizar a sua situação e sair», precisando que este aviso se manterá em vigor enquanto as tropas apoiadas pelos Estados Unidos impedirem o Iémen de explorar as suas riquezas.

Igualmente no domingo, Hans Grundberg emitiu um comunicado afirmando que «lamentava que não tenha sido possível chegar a um acordo hoje, na medida em que uma trégua prolongada e ampliada traria benefícios críticos adicionais para a população», indica o portal The Cradle.

De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês), mais de 23 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária, mas as agências da ONU só chegam a cerca de 11,5 milhões cada mês.

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