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Mau tempo, restrições e ataques israelitas continuam a matar em Gaza

Israel violou centenas de vezes o cessar-fogo em vigor há três meses no enclave costeiro, onde as condições de vida – catastróficas – se agravam com o bloqueio e o tempo de Inverno.

Massas de ar frio, chuva e tempestades têm agravado as condições de vida catastróficas na Faixa de Gaza Créditos / PL

Pelo menos quatro pessoas faleceram, esta terça-feira, na sequência do colapso de edifícios danificados pelos bombardeamentos israelitas na Cidade de Gaza.

Os edifícios, fragilizados pela destruição sistemática da infra-estrutura habitacional no território, eram usados como refúgio por pessoas deslocadas e desmoronaram-se devido às tempestades e aos ventos fortes que assolam o enclave, refere a Wafa.

No dia anterior, outras três pessoas haviam falecido em condições semelhantes, quando um salão de casamentos bombardeado pela ocupação e agora usado como refúgio se desmoronou, também fustigado pelas condições de invernia.

Ainda na segunda-feira, foram mortos na região de Khan Younis (Sul da Faixa de Gaza) mais quatro palestinianos, alvo de ataques da ocupação, indicou a Wafa.

Além desta agência, várias outras destacam as repetidas violações do cessar-fogo por Israel, que agravam as condições extremamente duras em que a população vive na Faixa de Gaza, fruto da destruição generalizada, do bloqueio imposto pela ocupação, da falta de abrigos seguros e do tempo invernal (com muito vento, chuva e frio).

Os ventos fortes destruíram tendas e as chuvas inundaram muitas delas outra vez, refere o correspondente da Al Mayadeen, sublinhando a falta de colchões, cobertores e meios de aquecimento, que transformam as tendas delapidadas em algo mais parecido com «frigoríficos de morgue».

Pelo menos 21 palestinianos mortos devido ao frio

Em apenas dois dias, três crianças morreram por causa do frio extremo no enclave, indicou na segunda-feira o Ministério da Saúde em Gaza, acrescentando que 21 palestinianos – 18 dos quais crianças – faleceram ali nessas condições desde Outubro de 2023.

Entretanto, as autoridades de saúde anunciaram, esta terça-feira, a morte de outra criança devido ao frio, em Deir al-Balah, na região central do enclave.

Para as autoridades, estas mortes evidenciam as consequências mortais da deslocação forçada, da falta de abrigo e do colapso das condições básicas de vida.

Quase 288 mil famílias sem abrigo

Numa nota, o gabinete de imprensa do governo em Gaza referiu que 127 mil das 135 mil tendas no enclave «se tornaram inabitáveis» em virtude das más condições atmosféricas, sublinhando que a guerra de extermínio israelita destruiu quase 90% do ambiente construído, desalojou mais de dois milhões de pessoas e deixou aproximadamente 288 mil famílias sem qualquer abrigo.

A falta de cobertores e materiais de aquecimento ultrapassa os 70% em toda a Faixa de Gaza, num contexto em que persistem o bloqueio e as restrições impostos pela ocupação, apontou ainda o gabiente.

Desde Outubro de 2023, a ofensiva genocida israelita provocou pelo menos 71 424 mortos e 171 324 feridos entre a população palestiniana, indicaram as autoridades de saúde no enclave, acrescentando que muitas vítimas permanecem sob os escombros.

Com o cessar-fogo em vigor desde 10 de Outubro de 2025, pelo menos 447 palestinianos foram mortos e 1246 ficaram feridos, acrescentou a tutela.

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