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Israel começa a fase dois do cessar-fogo com mais mortos em Gaza

O início da segunda fase do acordo de cessar-fogo, anunciada quarta-feira, fica marcado por violações da parte israelita, com ataques aéreos a várias zonas de Gaza, que provocaram 11 mortos só na quinta-feira.

Palestinianos no meio de edifícios destruídos na Cidade de Gaza, em Janeiro de 2026 Créditos / PressTV

Continuaram a vir a público esta sexta-feira notícias que dão conta de palestinianos mortos e feridos na sequência de ataques das forças de ocupação, depois de, no dia anterior, pelo menos 11 terem falecido na Cidade de Gaza e no campo de refugiados de Nuseirat, junto a Deir al-Balah, indicam a Wafa e a Al Mayadeen, que se referem igualmente a múltiplos feridos.

Estas e outras fontes apontam ataques «incessantes» ou «indiscriminados» no Centro e Sul do enclave, bem como demolições de edifícios residenciais, também levadas a cabo pelas forças de ocupação. Ao início da tarde de ontem, as autoridades de saúde reportaram 14 mortes no espaço de 24 horas.

As violações flagrantes, por parte e Israel, dos termos do acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de Outubro não são uma novidade em si mesma, uma vez que a ocupação fez disso um procedimento repetido, centenas de vezes.

Os novos ataques ganham relevância especial no contexto do anúncio da fase dois do acordo de cessar-fogo, feito na quarta-feira por um responsável norte-americano, e dos encontros mantidos no Cairo por diversas facções palestinianas para debater esta fase da «trégua» – mesmo depois de Israel pouco ter respeitado reiteradamente a primeira.

Criada uma comissão de tecnocratas

Um representante do Hamas disse à Al Jazeera que os debates na capital egípcia se iriam centrar na reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, de modo a garantir a entrada de ajuda humanitária, bem como na retirada das forças de ocupação da Faixa de Gaza.

De acordo com The Cradle, pelo menos oito partidos e facções palestinianas estiveram presentes no Cairo, sem a presença da Fatah e da Autoridade Palestiniana.

Mustafa Barghouti, dirigente da Iniciativa Nacional Palestiniana, disse à imprensa que as partes tinham chegado a acordo quanto à criação de uma comissão administrativa de transição, formada por 14 residentes em Gaza, para gerir os assuntos do enclave, tendo sublinhado que não se trata de um governo e que irá funcionar sem interferência externa.

Confirmou que a comissão será liderada por Ali Abdel Hamid Shaath e que o organismo, aprovado por todas as facções presentes no Cairo, terá a seu cargo a supervisão de sectores como a saúde, a economia, a agricultura, a energia e a administração.

Entretanto, um canal egípcio já deu conta das primeiras reuniões da comissão de tecnocratas recém-formada, a que Turquia, Egipto e Catar – países mediadores – deram as boas-vindas, considerando que irá ajudar a abrir o caminho à implementação concreta da segunda fase da trégua.

Washington anuncia fase dois sem reparos a Israel

Ao fazer o anúncio da fase dois do cessar-fogo, um representante norte-americano, enviado de Donald Trump, falou em desmilitarização, administração tecnocrata e reconstrução, ameaçou o Hamas em caso de não cumprimento e considerou que, na fase um, a trégua foi mantida, como se a ocupação sionista não a tivesse violado de forma sistemática, entre ataques aéreos e de artilharia, demolições, bloqueio e restrições à entrada de ajuda.

De acordo com o governo em Gaza, dos 57 mil camiões com ajuda humanitária que deveriam ter entrado no território, apenas foram autorizados 24 611, ou seja, nem metade.

Dados oficiais referem que pelo menos 449 palestinianos foram mortos pela ocupação desde Outubro de 2025 e que Israel expandiu a sua presença em Gaza (ao invés de a reduzir).

Além disso, milhares de edifícios foram demolidos pelas tropas de ocupação «atrás e à frente» da chamada «linha amarela», para abrir caminho a uma maior presença militar israelita.

Desde o início da guerra de extermínio levada a cabo por Israel em Gaza, em Outubro de 2023, pelo menos 71 455 palestinianos foram mortos e 171 347 ficaram feridos, revelaram fontes médicas do enclave esta sexta-feira.

Hamas disposto a deixar o poder, mas não já as armas

O grupo da resistência palestiniana reiterou a sua disponibilidade para entregar o poder a um corpo formado por tecnocratas palestinianos, tal como previsto no termos da trégua.

No entanto, rejeita qualquer possibilidade de entregar as armas, sublinhando o seu direito a lutar contra a ocupação sionista até que um Estado palestiniano, soberano e independente, seja criado.

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