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Grandes manifestações no Iémen contra a guerra de agressão saudita

Em Saná e noutras cidades do país muitos milhares de iemenitas manifestaram-se contra a guerra e o bloqueio sauditas, e denunciaram a classificação, pelos EUA, do movimento Ansarullah como «terrorista».

Milhares de iemenitas denunciaram, esta segunda-feira, a guerra de agressão contra o país; pelo mundo fora, centenas de organizações exigiram o fim da guerra saudita no Iémen e denunciaram o papel dos países ocidentais
Milhares de iemenitas denunciaram, esta segunda-feira, a guerra de agressão contra o país; pelo mundo fora, centenas de organizações exigiram o fim da guerra saudita no Iémen e denunciaram o papel dos países ocidentais Créditos / Al Mayadeen

No Dia Internacional contra a Guerra no Iémen, esta segunda-feira, os manifestantes gritaram palavras de ordem de condenação contra os crimes de guerra perpetrados pela coligação liderada pela Arábia Saudita e contra o bloqueio levado a cabo por esta coligação, sob o silêncio e a cumplicidade internacionais, refere a Al Mayadeen.

Em simultâneo, os manifestantes, que participaram em mobilizações na capital e em vários pontos do país nas províncias de Saada, Taiz, Ibb, Dhamar, Raymah, Dali, Hajjah, Amran, Bayda, Mahwit, Marib e Jawf, declararam o seu apoio ao movimento Huti Ansarullah e pediram à administração norte-americana que reverta a decisão de classificar o movimento como «terrorista», sublinhando que o Ansarullah é «uma parte inseparável do Iémen, determinada a defender o país da agressão saudita».

Em declarações à Al Mayadeen, Muhammad al-Bukhaiti, membro do Conselho Político do movimento Huti Ansarullah, disse que a decisão de Washington visa «aterrorizar os iemenitas», mas destacou que «essa tentativa de pressão […] não dará frutos».

Por seu lado, o comunicado da manifestação que teve lugar na província de Saada sublinhou que «a agressão contra o Iémen é sobretudo norte-americana» e que designar o movimento Ansarullah como organização terrorista evidencia o fracasso de Washington no Iémen.

Além disso, o documento destaca que «terrorismo real» é bloquear portos e aeroportos, como está a fazer a coligação norte-americana-saudita, informa a Al Mayadeen.

No âmbito deste Dia Internacional contra a Guerra no Iémen, foram convocadas mobilizações em países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Suécia, França, Países Baixos, Bélgica e Itália.

Mais de 300 organizações pedem o fim da guerra saudita contra o Iémen

Organizações humanitárias e de defesa da paz em todo o mundo firmaram uma declaração em que se apela ao fim da campanha saudita contra o seu vizinho do sul, iniciada há quase seis anos.

O texto afirma que, desde 2015, o bombardeamento e o bloqueio comandados pelos sauditas no Iémen mataram centenas de milhares de pessoas e devastaram o país, e, apesar da crise humanitária, das condições em que as pessoas vivem e da pandemia de Covid-19, a Arábia Saudita prossegue a escalada da guerra e aperta o bloqueio.

«A guerra só é possível porque os países ocidentais – e os Estados Unidos e o Reino Unido em particular – continuam a armar a Arábia Saudita e a fornecer apoio militar, político e logístico à guerra», lê-se na declaração.

Entre os signatários do texto contra a guerra no Iémen há organizações do Iémen, Alemanha, Áustria, Bangladesh, Canadá, Chile, Chipre, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, EUA, Finlândia, França, Índia, Itália, Países Baixos, Polónia, Reino Unido, Suécia, Suíça, entre outros países.

Exigem que se «pare a agressão externa ao Iémen; pare a venda de armas e o apoio militar à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos; levante o bloqueio ao Iémen e sejam abertos todos os portos e aeroportos; restaure e expanda a ajuda humanitária ao povo do Iémen».

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