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Trégua proposta pela ONU no Iémen entrou em vigor, com registo de violações

A proposta de cessar-fogo anunciada pelo enviado especial da ONU para o Iémen foi aceite pelo movimento Huti e a coligação liderada pelos sauditas, mas estes, afirma a Al Masirah, violaram a trégua repetidamente.

Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de Hudaydah
Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de HudaydahCréditosGiles Clarke / UNOCHA

O enviado especial das Nações Unidas, Hans Grundberg, anunciou na sexta-feira que «as partes do conflito responderam positivamente à proposta da ONU de uma trégua de dois meses», que entrou em vigor este sábado, às 19h locais.

No entanto, a cadeia de TV iemenita Al Masirah informa que, nas últimas horas, a trégua foi violada pelos sauditas tanto na província de Sa'ada, onde foram mortos três civis, como na de Hudaydah.

As Forças Armadas iemenitas afirmaram que estavam empenhadas no cessar-fogo desde que ambas as partes o respeitassem.

Nos termos da trégua, as partes comprometeram-se a cessar todas as operações militares ofensivas, dentro e fora do Iémen.

Também aceitaram que 18 navios carregados com derivados de petróleo entrem no Porto de Hudaydah e que voos comerciais possam operar a partir de Saná com destino à Jordânia e ao Egipto.

As partes aceitaram ainda encontrar-se sob os auspícios do enviado especial das Nações Unidas para o Iémen com vista à abertura de estradas em Taizz e noutras províncias iemenitas, de modo a facilitar a circulação de civis.

Ao anunciar a trégua, na sexta-feira, Hans Grundberg explicou que o cessar-fogo podia ser prolongado para além dos dois meses previstos, com o consentimento das partes em conflito, indica a PressTV.

«O objectivo da trégua é proporcionar aos iemenitas uma pausa necessária na violência, um alívio do sofrimento humanitário e, o que é mais importante, a esperança de que é possível pôr fim a este conflito», disse Grundberg.

O responsável da ONU disse ainda que esperava intensificar o seu trabalho com as partes neste período de dois meses, com o propósito de alcançar um cessar-fogo permanente, de abordar medidas económicas e humanitárias urgentes, bem como de retomar o processo político.

Por seu lado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que esta trégua «deve ser o primeiro passo para acabar com a guerra devastadora no Iémen» e apelou às partes para que aproveitem esta oportunidade para «retomar um processo político abrangente e inclusivo».

O chefe da delegação negociadora iemenita, Mohammad Abdul Salam, congratulou-se com este anúncio, enquanto Mohammad Ali al-Houthi, membro do Conselho Político Supremo, disse que «o povo deve ter cuidado» e que a trégua só será «credível ao ser implementada».

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, país considerado um aliado do movimento de resistência Huti, também se congratulou com a trégua.

Saeed Khatibzadeh, porta-voz governamental, disse este sábado ter esperança de que o cessar-fogo alcançado seja o prelúdio do levantamento completo do bloqueio ao Iémen e do estabelecimento de uma trégua permanente.

Manifestou igualmente o apoio de Teerão a uma solução política e humanitária para o conflito no mais pobre dos países árabes.

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