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UGT e patrões do turismo do Algarve fecham acordo para salários de miséria

O acordo alcançado entre patrões do turismo do Algarve e uma estrutura sindical afecta à UGT fica muito aquém das necessidades dos trabalhadores. A tabela salarial acordada prevê o pagamento de salários abaixo do valor do salário mínimo e impõe à grande maioria um salário base mensal entre o mínimo e os 1000 euros.

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

O Sindicato da Hotelaria do Algarve da CGTP-IN veio a público criticar o novo acordo salarial celebrado entre a Associação Patronal do Turismo do Algarve (AHETA) e a FETESE (estrutura sindical ligada à UGT), publicado no Boletim do Trabalho e Emprego em Janeiro de 2026.

De acordo com a estrutura afecta à CGTP-IN o acordo entre as partes prevê uma nova tabela salarial que permite remunerações abaixo do Salário Mínimo Nacional (SMN) e, para a maioria dos trabalhadores, fixa-se entre o SMN e os 1000 euros, não cobrindo as necessidades básicas nem o aumento do custo de vida.

«Estes acordos, impostos aos trabalhadores sem o seu envolvimento, sem ter em conta o aumento do custo de vida e os resultados históricos alcançados pelas empresas deste sector de actividade ano após ano, têm resultado numa contínua perda do poder de compra dos salários de milhares de trabalhadores deste sector que trabalham na região», acusa o Sindicato da Hotelaria do Algarve.

Para ilustrar o quão lesivo é este acordo, o sindicato filiado à CGTP-IN explica que enquanto a receita do sector do turismo cresceu 192% entre 2014 e 2024, os salários aumentaram apenas 52%. Mantendo esta tendência, em 2025 bateram-se novos recordes com a receita a crescer 6,1%, porém sem reflexo nos salários.

Entre 2021 e 2025, os bens essenciais dispararam com os produtos alimentares a aumentarem 31%, as rendas a subirem 22%, e as prestações crédito à habitação a crescerem 53%, contrastando com os lucros astronómicos dos grandes grupos económicos que rondaram os 30 milhões de euros por dia em 2025.

Como se isto não fosse suficiente, «os trabalhadores estão a ser confrontados com a imposição de horários cada vez mais longos e desregulados, que impedem a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar, e com condições de trabalho cada vez mais precárias devido ao aumento dos vínculos não permanentes e à substituição de trabalhadores mais qualificados por trabalhadores menos qualificados». 

No seu comunicado, o Sindicato da Hotelaria do Algarve reitera que a situação está a gerar descontentamento, a empurrar trabalhadores para a pobreza ou para a emigração e a favorecer o crescimento de forças políticas de direita e extrema-direita na região.

Neste sentido, a estrutura sindical exige o aumento geral dos salários em 15%, no mínimo de 150 euros; a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais; o fim da precariedade e valorização das carreiras; e a defesa da contratação coletiva da CGTP-IN e dos serviços públicos. Além disto, convoca também os trabalhadores para a manifestação do Dia da Mulher, em Faro, e para a Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores que irá ocorrer no próximo dia 28 de Março.

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