Até os sindicatos meterem um travão na «bolsa de horas» da Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental, médicos, enfermeiros e administrativos desta instituição tinham já trabalhado milhares de horas extraordinárias sem serem pagos por isso. Em Fevereiro, mais de 600 enfermeiros entregaram, através do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN), um abaixo-assinado em que alertavam para o facto de a generalidade dos serviços serem «assegurados à custa do recurso às horas extraordinárias» e à «redução de elementos por turno».
A instituição tinha, basicamente, o pacote laboral do Governo PSD/CDS-PP em prática antes de o mesmo ser sequer um projecto. A situação levou três sindicatos do sector, o SEP, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN) a concertar posições num plenário que mobilizou mais de 200 profissionais da instituição. A opinião foi unânime: a «bolsa de horas» não podia continuar.
Em nota conjunta, os sindicatos dão conta de que as negociações realizadas no final de Maio de 2026 chegaram a bom porto. De hora em diante, o trabalho suplementar na ULS Lisboa Ocidental será sempre «devidamente remunerado, de acordo com o previsto na lei». Os trabalhadores podem, a partir deste momento, «regularizar a sua situação por acordo com as respectivas chefias ou requerer ao Conselho de Administração o pagamento devido», explica a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
Este estabelecimento público do Serviço Nacional de Saúde é composto pelos hospitais Egas Moniz, Santa Cruz e São Francisco Xavier, para além dos Agrupamentos de Centros de Saúde Lisboa Ocidental, Oeiras e Cascais.
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