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Hotelaria: explorar os trabalhadores, acumular lucros

Dirigentes, delegados e activistas do Sindicato da Hotelaria do Algarve promovem amanhã, 11 de Agosto, uma acção de denúncia em Vilamoura, contra as más condições de trabalho do sector.

Trabalhadores da hotelaria e turismo participam numa acção de protesto convocada pela Fesaht/CGTP-IN para exigir melhores salários e horários para o sector, no exterior do local onde decorre o 32.º Congresso da Hotelaria e Turismo. 11 de Novembro de 2021 
Trabalhadores da hotelaria e turismo participam numa acção de protesto convocada pela Fesaht/CGTP-IN para exigir melhores salários e horários para o sector, no exterior do local onde decorre o 32.º Congresso da Hotelaria e Turismo. 11 de Novembro de 2021 CréditosRicardo Nascimento / Agência Lusa

O clima de histeria que assola o patronato do sector da hotelaria, particularmente estridente na região do Algarve, é, ao que aos seus protagonistas diz respeito, inteiramente justificável. Em seu redor, empresas de diversos sectores aumentam exponencialmente os seus lucros, graças à especulação dos preços. Nenhum bom capitalista rejeita a oportunidade, à custa das populações, de acumular um pouco mais de capital.

No entanto, a situação dos patrões da hotelaria do Algarve é paradoxal: a ganância que os leva a temer não participar na rapina do aumento dos preços entra em conflito com o princípio ideológico de tratar o trabalhador tão mal quanto possível.

«Ao contrário do que afirmam os patrões, a maioria dos salários pagos no sector rondam o Salário Mínimo Nacional, as condições de trabalho são bastante penosas e os horários longos e desregulados», denuncia, em comunicado, o Sindicato de Hotelaria do Algarve (SHA/CGTP-IN).

O mais grotesto em toda esta situação é que os patrões querem, agora, «fazer ainda pior com os trabalhadores imigrantes que estão a angariar noutros países, como no Brasil, Cabo Verde, Marrocos, Índia, Bangladesh, entre outros».

Férias de sonho, trabalho de horrores

«A falta de respeito, a pressão, a perseguição, a ameaça, a chantagem, a tortura psicológica, são uma constante nos locais de trabalho», uma situação potencializada «devido ao clima de impunidade de que goza o patronato em geral, sustentado nas opções políticas de PS, PSD, CDS-PP, Iniciativa Liberal e Chega, que mantêm as normas gravosas da legislação laboral e que condicionam e limitam a acção da Autoridade para as Condições do Trabalho e dos tribunais a favor das entidades patronais».

«A recusa dos patrões em garantir essas condições fundamentais para atrair e fixar os trabalhadores mantém-se, ao mesmo tempo que insultam os trabalhadores acusando-os de serem uns malandros, por um lado, e por outro lado, fazem todo o tipo de pressões para que os trabalhadores efectivos se despeçam ou aceitem acordos ilegais para saírem por extinção do posto de trabalho».

Esses postos de trabalho são, posteriormente, «ocupados por trabalhadores contratados através de empresas de trabalho temporário ou de prestação de serviços ou estagiários, mais baratos para as empresas e mais fáceis de explorar».

A acção de denúncia pública e de protesto contra a situação dantesca vivida no sector da hotelaria, promovida pelo SHA, na Marina de Vilamoura, terá lugar na quinta-feira, dia 11 de Agosto, pelas 19h.

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