Na sua conta de Twitter (X), o chefe de Estado afirmou que o encontro promovido por Trump «é um ataque à Proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz, um ataque às aspirações de integração regional e uma manifestação da vontade de se subordinar aos interesses do poderoso vizinho do Norte, sob os preceitos da Doutrina Monroe».
«A pequena cimeira reaccionária e neocolonial da Florida, convocada pelos EUA com a participação de governos de direita da região, compromete-os a aceitar o uso letal da força militar norte-americana para resolver problemas internos e manter a ordem e a tranquilidade nos seus países», destacou também Díaz-Canel na mesma rede social.
«Uma grave ameaça à paz»
Por seu lado, o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, referiu que «a mini-cimeira» visa obrigar os «governos reaccionários da região» a «aceitar a nova versão da dominação através da Doutrina Monroe», o que equivale, em seu entender, a «uma maior subordinação dos seus países à potência do Norte».
«O único resultado tornado público foi a assinatura, pelos participantes, de um documento servil e desonroso que defende o uso da força militar, particularmente a dos EUA, como arma repressiva contra os cartéis criminosos em cada país e para conter os problemas internos e fronteiriços», escreveu na sua conta de Twitter (X).
Além dos EUA, que contou com uma representação em que figuravam Donald Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Guerra, Pete Hegseth, estiveram este sábado em Miami, no encontro em que foi lançado o chamado Escudo das Américas – alegadamente para combater o crime organizado transnacional –, representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trindade e Tobago.
Para o chefe da diplomacia de Cuba, o encontro constitui «um claro e perigoso retrocesso no longo e árduo processo de independência dos povos da América Latina e das Caraíbas», e significa «uma grave ameaça à paz, à segurança, à estabilidade e à integridade regional», além de ser uma «grosseira violação da Proclamação da América Latina e Caraíbas como Zona de Paz».
Questões de alinhamento ideológico
Sobre a reunião deste sábado, a RT questiona se se trata de facto de «uma coordenação ampla a nível do hemisfério» contra o narcotráfico e a «migração irregular» ou se visa «consolidar um bloco político afim a Washington».
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, disse que a reunião visava promover «a liberdade, a segurança e a prosperidade» no Hemisfério Ocidental através de uma maior cooperação entre os governos da região.
No entanto, a reunião deixou de fora da lista de convidados países como o México, a Colômbia ou o Brasil, «três actores-chave em qualquer estratégia regional contra o tráfico de droga ou a gestão dos fluxos migratórios para os Estados Unidos», sublinha a fonte.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
