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Com iranianos ameaçados, nenhum porto do Golfo Pérsico estará seguro

As Forças Armadas do Irão condenam o bloqueio americano de Ormuz como pirataria e afirmam que nenhum porto no Golfo Pérsico estará seguro se os iranianos estiverem ameaçados.

CréditosMike Nelson / EPA

«As restrições impostas pelos Estados Unidos, um país criminoso, à navegação e ao trânsito marítimo em águas internacionais são ilegais e constituem um acto de pirataria», declarou o porta-voz do Comando Central, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, em declarações divulgadas pelos meios de comunicação estatais.

Zolfaghari afirmou que o Irão considera a defesa das suas águas territoriais um «dever natural e legítimo», enfatizando que a presença de embarcações alinhadas a países estrangeiros em corredores marítimos importantes não será permitida.

«Se a segurança dos portos da República Islâmica nas águas do Golfo Pérsico e do Mar Arábico estiver ameaçada, nenhum porto no Golfo Pérsico e no Mar Arábico estará seguro», acrescentou.

Zolfaghari reiterou que Teerão continuará a «impor firmemente um mecanismo de controlo permanente para o Estreito de Ormuz», segundo o qual não permitirá a passagem de «embarcações ligadas ao inimigo».

«Outras embarcações, que respeitem as normas estabelecidas pelas Forças Armadas iranianas, poderão ainda atravessar o estreito», assegurou.

Tensão escala após impasse nas negociações

Os Estados Unidos anunciaram este domingo que iriam começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir desta segunda-feira às 14h GMT (15h em Lisboa).

«O bloqueio será aplicado de forma imparcial às embarcações de todas as nações que entrem ou saiam dos portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã», afirmou o Comando Central (CENTCOM) do EUA.

O anúncio do CENTCOM surgiu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que os EUA iriam bloquear o Estreito de Ormuz e ter acusado o Irão de manter as suas «ambições nucleares», após as conversações de paz no Paquistão, durante o fim-de-semana, terminarem sem um acordo.

O Irão mantém encerrada esta via navegável estratégica, por onde passa um quinto do petróleo mundial, em retaliação pela ofensiva conjunta dos EUA e de Israel lançada em 28 de Fevereiro contra a República Islâmica.

Entretanto, fontes do governo britânico afirmaram que o Reino Unido não enviará navios de guerra para apoiar o bloqueio do Estreito de Ormuz imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Antes do ataque desencadeado pelos EUA e por Israel ao Irão, passava pelo Estreito de Ormuz um quinto de todo o consumo mundial de petróleo. A decisão iraniana de reabrir o estreito aconteceu após o acordo de cessar-fogo, mas teve um volte-face com a agressão israelita no Sul do Líbano.


Com agência Lusa

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