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Inflação: Recomendar o fim da guerra? Bruxelas recomenda teletrabalho e boleias

Será apresentado amanhã um plano com 55 medidas que a Comissão Europeia quer ver implementadas para mitigar a crise energética e a inflação. Em vez de trabalhar pela paz, Bruxelas pede sacrifícios aos trabalhadores, como se a guerra fosse uma inevitabilidade. 

Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia 
CréditosOlivier Hoslet / EPA

A guerra promovida pelos EUA e Israel contra o Irão está a ter impactos visíveis no aumento do custo de vida. O estreito de Ormuz está nas bocas de toda a gente porque a crise energética que advém do bloqueio está a ter consequências directas nas cadeias de produção e nos bolsos dos trabalhadores.

Mais uma vez, a guerra penaliza quem trabalha e há quem lucre com ela. Num contexto em que se exige paz, a Comissão Europeia, refém das suas aliança e fiel ao seu propósito, parece acomodar-se à situação e, como tal, vai apresentar um plano com 55 medidas, sendo que nenhuma dela passa por estabelecer esforços de paz. 

De acordo com um rascunho a que a agência Lusa teve acesso, Bruxelas vai sugerir um conjunto de medidas que mais não são que ataques directos, ou formas de atenuar os impactos nefastos das nefastas acções norte-americanas e israelitas. Entre as sugestões aos Estados-membros está a promoção de pelo menos um dia obrigatório de teletrabalho por semana quando possível e o encerramento de edifícios públicos quando possível. 

A ideia é poupar energia para fazer face aos elevados preços. Além destas medidas, a Comissão Europeia sugere também possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas, alternativas ao carro como bicicletas partilhadas, zonas sem viaturas, partilha de automóveis, mais veículos elétricos e maior incentivo à utilização de transporte público.

Na lógica de redução de consumo, Bruxelas vai sugerir ainda um ajuste aos sistemas centralizados de ar condicionado em edifícios públicos para aumentar a eficiência e a regulação da temperatura das caldeiras das casas abaixo de 50°C.

A total incapacidade da Comissão Europeia para lidar com a situação fica também visível nas sugestões às empresas com o incentivo à aposta em energias renováveis, armazenamento e eficiência energética e substituição de motores eléctricos ineficientes e sistemas fósseis.

Estas medidas, que na realidade são já um apelo ao racionamento, contrastam com a narrativa que a Comissão Europeia tem versado. O Executivo liderado por Ursula Von der Leyen diz não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás, porém, a pressão inflacionista, as perturbações na indústria e nos transportes, e as dificuldades com a que as famílias estão confrontadas confirmam, na prática, que a guerra não interessa a ninguém a não ser ao imperialismo norte-americano. 
 

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