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Mapas da Apple não estão a mostrar diversas cidades do sul do Líbano

Utilizadores dos serviços Apple têm reclamado de um apagamento digital de aldeias no sul do país. A mesma região é alvo de uma ofensiva israelita mais intensa nas últimas semanas. Apple diz nunca ter tido tais cidades na aplicação.

<em>Print</em> do Mapa da Apple, Março de 2026
Créditos

São diversos os relatos dos últimos dias, em redes sociais como o Instagram e o X, de utilizadores dos serviços Apple a perguntar para onde foram aldeias como Bint Jbeil, Aita Ash-Shaab, Naqoura, Maroun El Ras, quando se pesquisa a região do sul do Líbano no mapa da gigante americana. Estas ausências são facilmente confirmadas, até para aqueles que não dispõem de aparelhos Apple, já que a empresa também tem uma versão aberta para os navegadores online. De facto, não há quase nenhuma indicação de localidades no sul do país.

Israel vem, há semanas, a intensificar a sua ofensiva nos territórios do sul do Líbano, e estes utilizadores passaram a correlacionar os dois eventos acreditando numa cumplicidade entre a manutenção da aplicação e a administração sionista. O avanço de Israel no território libanês, destruindo infra-estruturas, como pontes e estradas, tem sido acompanhada de evacuações em massa das regiões. De acordo com a ONU, 700 mil libaneses já foram forçados a deixar as suas casas desde o início de Março.

Após as alegações, a Apple respondeu à WIRED Middle East sobre a situação, comunicando que não houve uma «remoção dos mapas da Apple», porque «estas localidades nunca estiveram na aplicação». A Apple afirma que a sua versão mais actualizada da plataforma ainda não está totalmente implementada na «região», sem especificar se se refere apenas ao sul do Líbano ou a uma área mais ampla. Os territórios no sul da fronteira, hoje Israel, têm neste momento informações detalhadas de estradas, comércios e pequenos vilarejos. Ainda que os nomes das cidades libanesas nunca tenham constado nos mapas, estão lá suas imagens de satélite, o traçado de estradas e ruas menores e a marcação de alguns comércios locais cadastrados pelos usuários.

Mapas digitais e conflitos territoriais

Longe de ter sido a primeira ocorrência do género, as big techs têm um histórico de contestações de como representar os conflitos nos seus mapas. No conflito de Caxemira, a linha de fronteira varia, com o mapa a classificar a área como indiana apenas para utilizadores dentro da Índia, e um contorno pontilhado de «área em disputa», para quem está fora. Já na Faixa de Gaza, após a escalada do genocídio sionista, em 2023, o exército israelita solicitou às plataformas a remoção dos dados de tráfego em tempo real, as quais obedeceram às «ordens».

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