É mais uma demonstração prática daquilo que Javier Milei representa. O presidente argentino deslocou-se a Israel, em visita de Estado, para se reunir com Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o Oriente Médio vive um cessar-fogo que acaba no dia 22 de Abril.
A deslocação de Milei é, no entanto, mais do que protocolar. O presidente libertário procurou apoiar as acções bélicas e criminosas de Israel, dando-lhes apoioe legitimidade institucional ao fechar um acordo com o Estado sionista. Inspirado nos Acordos de Abraão, firmados por Israel e vários países árabes em 2020 com o apoio da primeira Administração Trump, «hoje apresentamos os Acordos de Isaac, uma iniciativa que busca estender esse mesmo espírito à América Latina», afirmou Milei.
Entre vários pontos, os Acordos de Abraão foram apelidos por «acordo do século» pelo então governo Trump e previam a aplicação da soberania israelita a todos os colonatos judaicos existentes na Cisjordânia ocupada, além da anexação do vale do Jordão, que se tornaria a fronteira oriental de Israel. A par disto, não ficou previsto nenhum retorno significativo, nem nenhuma compensação, dos refugiados palestinos expulsos pela limpeza étnica levada a cabo pelos sionistas.
Neste sentido, os Acordos de Isaac prevêem apesar de não detalhar cláusulas de cooperação militar explícita, eles contêm elementos de segurança e defesa, nomeadamente no combate ao terrorismo e coordenação contra o Irão.
Os acordos contêm ainda a componente ideológicas com a chamada «promoção da liberdade, a democracia e o Estado de Direito, unindo "os descendentes de Isaac e as nações de tradição judaico-cristã», uma componente económica com a expansão de parcerias em inovação, tecnologia (como um acordo específico sobre Inteligência Artificial), comércio e serviços aéreos.
«Expressamos o nosso firme apoio aos Estados Unidos e a Israel na sua guerra contra o terrorismo e contra o regime iraniano, não apenas porque é o correcto, mas porque os nossos países são irmãos no sofrimento», afirmou Milei numa declaração conjunta com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, numa postura, no mínimo, subalterna.
Javier Milei também reiterou a sua intenção de transferir a embaixada argentina para Jerusalém «assim que as condições permitirem». «Consideramos isso necessário, mas, sobretudo, justo», disse o presidente argentino. Importa relembrar que em Fevereiro registavam-se mais 75 000 os palestinianos mortos às mãos das forças genocidas israelitas.
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