O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, expressou na sua conta de Twitter (X) o repúdio pela decisão unilateral do executivo da Costa Rica de limitar as relações com a Ilha ao âmbito consular.
«Rejeitamos a decisão unilateral do governo da Costa Rica de baixar o nível das relações com Cuba, limitando-as à esfera consular, sem qualquer argumento ou justificação», declarou o chefe de Estado.
Comentou ainda que se trata de «um acto hostil, uma resposta clara à pressão do governo dos EUA, como parte da sua renovada ofensiva para tentar arrastar outros países para a sua fracassada política contra Cuba».
A decisão costa-riquenha de encerrar a embaixada em Havana foi divulgada no passado dia 17, por via de uma nota diplomática, na qual não apresentava qualquer tipo de justificação, segundo refere a diplomacia cubana em comunicado.
Na mesma nota, com base num princípio de alegada «reciprocidade», o executivo de San José solicitou a Cuba que retirasse o pessoal diplomático da sua embaixada na Costa Rica, mantendo apenas o pessoal consular e administrativo, revela a mesma fonte.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba (Minrex) repudiou ainda as declarações do presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, numa conferência de imprensa em que tentou justificar a decisão do seu governo «manipula[ndo] de forma grosseira a história e a realidade de Cuba» e «ignora[ndo] escandalosamente a responsabilidade directa que a política de bloqueio dos Estados Unidos teve sobre o agravamento da situação económica e a deterioração das condições de vida do povo cubano».
No documento, o Minrex sublinha que a decisão, tomada «sob pressão», deixa em evidência o historial de subordinação do governo costa-riquenho à ofensiva norte-americana contra Cuba, bem como aos esforços de Washington para isolar a Ilha dos países latino-americanos.
Decisão do «ianquismo» costa-riquenho
Num comunicado enviado à Prensa Latina, o Movimento Bolivariano de Solidariedade Yamileth López dirigiu fortes críticas à decisão do seu país de transformar a embaixada cubana num consulado e de limitar o nível das relações diplomáticas com Cuba.
A organização solidária e anti-imperialista classificou como «flibusteiros» que «sempre ali estiveram» os promotores da medida anunciada, que visa «deter a solidariedade crescente com Cuba na Nossa América».
Denunciando o velho Plano Condor para as Américas que agora foi desempoeirado na Florida para «silenciar a voz de Cuba no continente», a organização solidária sublinha que «qualquer solidariedade com qualquer povo do mundo, vítima do imperialismo, é uma escolha moral e ética» e reafirma que estará «com Cuba até ao último suspiro».
Contexto de ofensiva e solidariedade crescentes
A medida anunciada pelo executivo do país centro-americano tem lugar num contexto de pressões acrescidas dos Estado Unidos contra a Ilha, visando «asfixiar» o povo cubano por via do cerco petrolífero.
É também neste contexto de dificuldades acrescidas que se intensifica a solidariedade com o país caribenho, onde chega ajuda de vários países – latino-americanos, europeus, asiáticos, africanos.
Exemplo disso foi a chegada a Havana, esta terça-feira, do primeiro carregamento de ajuda solidária, num voo proveniente de Itália, da iniciativa European Convoy Let Cuba Breathe.
Segundo refere o portal cubainformacion.tv, trata-se de cinco toneladas de material médico, painéis solares e sistemas fotovoltaicos, no valor de 500 mil euros, para os quais contribuíram centenas de pessoas, organizações solidárias, sociais, sindicais e políticas de 17 países, como Itália, Suíça, Áustria, Inglaterra, Irlanda, Portugal, Bélgica e Grécia, além de França, Espanha, Escócia, Islândia, Turquia, Argélia e Marrocos.
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