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Preso nos EUA, golpista brasileiro é solto por Trump

Alexandre Ramagem, ex-director da Inteligência brasileira, estava foragido nos EUA desde que foi condenado no mesmo julgamento de tentativa de golpe de Estado, juntamente com Jair Bolsonaro.

CréditosYuri Gripas / EPA

A duração da pena ainda não tinha sido decretada pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, em Novembro passado, quando um dos oito condenados pela tentativa de golpe de Estado, Alexandre Ramagem, foi visto em Miami, na Flórida. O ex-deputado federal e ex-director da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) saiu do Brasil sem passar pelo controlo de fronteiras, tomando uma verdadeira rota de fuga através da Guiana, como explicou o director-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

Ramagem entrou nos EUA com um passaporte diplomático e dias depois teve o seu nome inserido na lista de procurados pela Interpol. A sua fuga, além de impedir o cumprimento da pena de 16 anos de prisão, significava também um risco agravado, pois como dirigiu a Abin, poderia expor segredos de Estado.

Preso pelo ICE

Nesta segunda-feira, a PF anunciou que Ramagem tinha sido preso nos EUA, através de uma operação conjunta entre as autoridades americanas e brasileiras. Enquanto isso, os documentos do Departamento de Segurança Interna dos EUA mostravam que seu visto de permanência no país tinha expirado. De acordo com o jornal ICL, aliados de Ramagem «afirmam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos».

A detenção, feita pelo ICE, abria caminho para uma extradição, permitindo o cumprimento da sua pena no país sul-americano. Desde o ano passado, Alexandre Ramagem já constava na lista de procurados pela Interpol e em Janeiro deste ano a Justiça brasileira já tinha encaminhado formalmente o pedido de extradição às autoridades norte-americanas.

Apenas dois dias depois, Ramagem é solto de forma administrativa, sem recurso à justiça. «Não houve nem pagamento de fiança, algo que é normal nestes casos. Não estou em situação regular como também não me estou a esconder», afirma o próprio num vídeo publicado nas suas redes sociais, onde também agradeceu nominalmente a Eduardo Bolsonaro por fazer chegar às altas cúpulas da administração Trump a sua detenção. Eduardo, foragido da justiça brasileira, é um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e permanece há quase um ano nos EUA como lobista dos interesses da extrema-direita brasileira no país.

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