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«Um País que usa a precariedade» não faz um bom trabalho com as crianças

Onze escolas do agrupamento de Canelas, em Vila Nova de Gaia, estão encerradas contra a falta de pessoal. Trabalhadores falam de uma situação insustentável e denunciam a contratação de tarefeiros. 

Segundo informação avançada pelo director, dos 56 atribuídos às 12 escolas do agrupamento, a escola-sede absorve 21
Segundo informação avançada pelo director, dos 56 atribuídos às 12 escolas do agrupamento, a escola-sede absorve 21 Créditos / ieol.pt

Em declarações aos jornalistas, Orlando Gonçalves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN/CGTP-IN), lembrou que este «é dos agrupamentos mais mal servidos em termos de funcionários», sendo «impossível gerir» o número de alunos com o actual número de trabalhadores não docentes. 

O dirigente do STFPSN reivindicou «mais respeito», salientando que «um País que usa a precariedade e ofende a dignidade dos trabalhadores [...] não está a fazer um bom trabalho quanto à educação das crianças». 

A denúncia surge a propósito do anúncio feito pelo ministro da Educação de que serão contratados dez trabalhadores a tempo parcial, os chamados tarefeiros. Orlando Gonçalves sublinha que não há dignidade na contratação de três horas diárias, a 3,5 euros por hora, e critica o facto de a solução ser apresentada como provisória, quando «acontece há mais de uma década».

«Isto não resolve os problemas dos trabalhadores e muito menos dos alunos», afirmou o dirigente, alertando o Governo para a necessidade de admitir mais trabalhadores e «respeitar a importância das escolas».  

Orlando Gonçalves dá exemplos do esforço exigido aos assistentes operacionais, nomeadamente o facto de haver escolas do 1.º Ciclo com 96 alunos e apenas um trabalhador não docente, para de seguida deixar um aviso ao Governo. Caso este não assuma a contratação de trabalhadores por tempo indeterminado, os trabalhadores irão encetar formas de luta que poderão passar pelo encerramento indefinido das escolas.

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