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Ministro quer justificar luta nas escolas com o fim da anterior solução política

Tiago Brandão Rodrigues, que não se lembra da luta dos auxiliares de educação na anterior legislatura ou no início deste ano lectivo, diz que a «nova vaga» de protestos se deve ao fim da chamada «geringonça».

Tiago Brandão Rodrigues
Tiago Brandão RodriguesCréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

Em mais um dia de greve dos assistentes operacionais, em várias escolas do País, o ministro da Educação questionou aos microfones da TSF porque é que, tendo o Governo «injectado no sistema» mais assistentes operacionais e criado a bolsa de recrutamento «reclamada pelas comunidades educativas», surge agora uma nova «vaga de contestação».

Tiago Brandão Rodrigues chegou mesmo ao ponto de afirmar que «é muito sintomático que, só no momento em que se entendeu que não havia acordos parlamentares [...] é que este burburinho tenha acabado por surgir».

Ignorando os protestos ocorridos ao longo da anterior legislatura – basta entrar aqui para conhecer alguns – e os que têm vindo a marcar o início deste ano lectivo, o governante foi mais longe e afirmou que, «num determinado momento tivemos uma certa letargia», acrescentando que havia o entendimento de que o ano lectivo que se iniciou em Setembro começava «com paz» e «apaziguado». 

As palavras do titular da pasta da Educação não batem certo com a realidade relatada por muitas escolas a nível nacional, onde sobressaem denúncias como exaustão, precariedade e insegurança, a qual motivou a greve nacional marcada para 29 de Novembro pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores das Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN). 

Tiago Brandão Rodrigues ironiza que, tal como na época natalícia surgem mais anúncios de brinquedos, no período pré-orçamental «é importante fazer ver junto da opinião pública, os decisores políticos, os partidos políticos na Assembleia da República, quais são as questões mais prementes». 

Ministro diz «inverdades»

O governante chama aqui o papel dos sindicatos, que por sinal contestaram a sua intervenção, esta manhã. Artur Sequeira, da FNSTFPS, acusou o ministro de dizer «inverdades», designadamente quanto à apatia dos trabalhadores na última legislatura. 

Já o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof/CGTP-IN), Mário Nogueira, disse que o ministro tem estado desatento e interrogou-se quanto à redução do prazo em que as escolas podem recorrer à bolsa de recrutamento para susbtituir funcionários ausentes, por motivos como baixa médica ou licença de paternidade.

Depois de o ministro da Educação ter apresentado como «uma boa notícia», a redução de 30 para 12 dias, Mário Nogueira não percebe o porquê de as escolas não poderem contratar de imediato. 

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