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«Não te deixes ficar! Luta já!». Estudantes do secundário têm uma palavra a dizer

Dezenas de Associações de Estudantes do Ensino Secundário reuniram-se, numa iniciativa dinamizada pelo Movimento Voz aos Estudantes para discutir os problemas do sector. Do encontro saiu o compromisso para avançar com a luta em todo o país.

CréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Realizou-se no passado dia 14 de Janeiro um encontro entre uma dezena de Associações de Estudantes para discutir os principais problemas do Ensino Básico e Secundário. Entre os temas centrais debatidos destacaram-se os ataques aos direitos de participação democrática dos estudantes, as ingerências na autonomia e financiamento das Associações de Estudantes, a pressão dos Exames Nacionais, acusados de desvalorizar anos de trabalho contínuo, e a falta crónica de condições materiais e humanas nas escolas, resultado do subfinanciamento do sector.

Da reunião emergiu um apelo nacional de luta, já subscrito por dezasseis Associações de Estudantes de norte a sul do país, incluindo instituições de São João da Madeira, Almada, Marco de Canaveses, Porto, Maia, Faro, Coimbra, Oliveira de Azeméis, Arouca e Baião. O documento, dirigido a todos os estudantes do Ensino Básico e Secundário, convoca a mobilização contra o que consideram ser uma «política de ataque à Escola Pública».

Sob o lema «Não te deixes ficar! Luta já! Democracia. Avaliação Contínua. Melhores condições», o texto denuncia situações como escolas degradadas, falta de equipamentos, sobrecarga horária nos cursos profissionais e artísticos, carência de professores e psicólogos, e a priorização de verbas para a guerra em detrimento da educação.

«Sabemos bem do que a nossa luta é capaz», referem os estudantes, lembrando conquistas passadas como manuais gratuitos, obras em escolas e melhorias nas cantinas. O apelo defende a avaliação contínua como alternativa aos exames nacionais e exige voz activa para os estudantes e autonomia para as suas associações.

O movimento já prevê intensificar a luta em cada escola, com assembleias gerais, acções de protesto e a preparação de uma grande mobilização a propósito do 24 de Março, Dia Nacional do Estudante. «Cada oficina de cartazes, cada Assembleia Geral, cada manifestação, é mais uma demonstração da força dos estudantes», lê-se no comunicado.

O documento será agora alargado a mais Associações de Estudantes, num esforço para unificar a contestação estudantil em torno de bandeiras comuns. A mensagem final é clara: «Estudantes unidos, jamais serão vencidos. A luta continua!».
 

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