A Futurália é «a maior feira de educação, formação e empregabilidade de Portugal», de acordo com a organização. Dirigida aos mais jovens, o evento tem, no entanto, ganho cada vez peso político, com diversos dirigentes partidários e governativos a realizarem visitas ao espaço.
Foi precisamente por este motivo que Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, realizou uma visita ao espaço e foi abordado por estudantes. No momento, que foi captado em vídeo e ficou viral nas redes sociais, o grupo de estudantes confrontou o ministro melhorias no Ensino Superior, nomeadamente o fim da propina e mais e melhores alojamentos estudantis.
«Nós temos este apelo pelo fim da propina, mais alojamento estudantil público, pela gratuitidade no ensino superior», disse um dos estudantes, ao que o ministro respondeu com um «falem mais alto pelo alojamento. Isso eu gosto».
Apesar da falta de insensibilidade e prepotência, os estudantes não se ficaram e retorquiram: «Nós no alojamento falamos alto, mas o PNAES [Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior] está por cumprir há muitos anos, senhor ministro». Visivelmente incomodado, Fernando Alexandre achou por bem criticar o movimento estudantil que se manifestou no ano passado por falar «muito na propina» e «pouco na acção social».
Aqui, mais uma vez, a irreverência estudantil veio ao de cima e um dos estudantes fez por meter Fernando Alexandre na ordem ao dizer que «o que garante a justiça é os estudantes terem a gratuitidade de acesso ao Ensino Superior que é o que garante a igualdade de oportunidades. Porque o senhor ministro enche a boca com a acção social, mas depois não garante o investimento que é necessário para a acção social», rematou um dos estudantes.
Este, de resto, não foi o único ministro a ser abordado. Também Paulo Rangel provou hoje, aquilo que Fernando Alexandre tomou ontem. Desta vez um estudante perguntou ao ministro dos negócios estrangeiros se com o dinheiro todo que vai para a guerra não daria para acabar com as propinas.
Se Fernando Alexandre foi esquivo com as questões colocadas, irónicamente Paulo Rangel não foi tão diplomático e disse logo «eu sou contra o fim das propinas». Procurando fugir, o ministro dos negócios estrangeiros disse ainda ao jovem «eu acho que não tem que ser o país todo a pagar» e que «pagar propinas é bom porque nós, quando não sabemos o custo de uma coisa não lhe damos valor».
Foi com esta desfaçatez, que Paulo Rangel foi totalmente insensível com quem passa dificuldade para ter acesso a algo que está constitucionalmente consagrado. Não suficiente, o ministro disse ainda que a existência de propinas foi sempre uma guerra sua.
No dia 24 de Março, DIa Nacional dos Estudantes, o jovens vão sair à rua, numa manifestação nacional organizada por diversas estruturas do movimento associativo estudantil, e vão à luta por um Ensino Superior público, democrático e de qualidade.
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