O mote do movimento Voz aos Estudantes é simples: «Não te deixes ficar! Luta já». À altura das circunstâncias, os estudantes da Escola Secundária do Lumiar tomam nas suas mãos os destinos das suas vidas e, sem nada a perder, vão realizar mais um protesto por obras e melhores condições na escola, contra a sobrecarga horária na via profissionalizante, contra os Exames Nacionais e por uma avaliação justa.
A acção dá seguimento ao protesto realizado no ano lectivo passado, no dia 21 de Novembro de 2024, integrado na semana nacional de luta do movimento estudantil, também ela convocada pelo movimento Voz aos Estudantes sob o lema «Faz-te Ouvir!», que levou a acções em várias escolas do país.
Ao AbrilAbril, uma fonte próxima à escola deu conta que na acção de luta anterior, os estudantes que decidiram protestar sofreram represálias da então direcção e foram alvos de faltas disciplinares. Segundo o relatado, o objectivo passaria por criar um clima de intimidação que acabasse com o caudal reivindicativo que estava a ser criado.
Importa relembrar que tal, a acontecer, não seria inédito. No ano lectivo passado, na Escola Secundária de Sampaio, em Sesimbra, vários foram os estudantes sumariamente suspensos por terem realizado uma reunião geral de alunos. Este, no entanto, não é caso único e várias são as escolas onde se multiplicam ataques às liberdades democráticas.
Assim como na Escola Secundária de Sampaio, o AbrilAbril procurou contactar a direcção da Escola Secundária do Lumiar de forma a apurar o sucedido. Neste caso a direcção acedeu ao pedido e Blandina Vaz, membro da direcção da escola posicionou-se ao lado dos estudantes.
Apesar de dizer que não tem conhecimento das faltas disciplinares relatadas, a professora admite que poderá ter acontecido com a direcção anterior, porém, se tal se verificou, não concorda: «Se tiveram falta disciplinar não deveriam ter, porque é um direito da nossa democracia, é o direito de manifestação», afirmou.
Blandina Vaz acrescenta ainda que a sua direcção não concorda com tal punição, caso tenha existido. «Não concordamos [com as medidas disciplinares], porque, aliás, até já autorizei os alunos da associação colocarem aqui tapumes e panos, a manifestarem-se», sustenta, apoiando os objetivos dos estudantes. Quando questionada se a actual direcção concorda com os objectivos estudantis, a resposta foi clara: «Sim, claro que nós queremos, de facto, uma escola melhorada e ter acesso à educação com dignidade».
Desta forma, os estudantes terão, certamente, na direcção da escola, um aliado para a sua luta. Talvez, após a acção de luta marcada para esta sexta-feira, haverá condições de elevar o patamar reivindicativo, com a direcção a dar todas as condições aos estudantes para que tal aconteça.
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