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Vietname insiste no apoio às vítimas do Agente Laranja

Esta quarta-feira, passaram 61 anos sobre os primeiros bombardeamentos dos EUA com Agente Laranja. O governo vietnamita e a associação de vítimas promoveram iniciativas para as apoiar.

Fotografia exposta no Museu das Memórias da Guerra, na Cidade de Ho Chi Minh, que mostra os efeitos devastadores (imediatos) do Agente Laranja no Vietname / Cortesia de Garth e Claire Ewert Fisher 
Fotografia exposta no Museu das Memórias da Guerra, na Cidade de Ho Chi Minh, que mostra os efeitos devastadores (imediatos) do Agente Laranja no Vietname / Cortesia de Garth e Claire Ewert Fisher Créditos / canadianmennonite.org

Para que os guerrilheiros vietnamitas ficassem privados de refúgio e alimentos, entre 1961 e 1971, a aviação militar norte-americana lançou sobre o país do Sudeste Asiático dezenas de milhões de litros de herbicida, em particular um desfolhante à base de dioxina conhecido como Agente Laranja.

Na década que se seguiu a 10 de Agosto de 1961, data do início do «desastre do Agente Laranja», as forças militares norte-americanas lançaram mais de 80 milhões de litros de químicos tóxicos, 61% dos quais eram Agente Laranja, contendo 366 quilos de dioxina, sobre quase um quarto do Sul do Vietname. Cerca de 86% dessa área foi atingida mais do que duas vezes e 11% mais do que dez vezes, lembra a Vietnam News Agency (VNA).

As autoridades estimam que 4,8 milhões de vietnamitas tenham estado expostos a este tóxico. Muitos morreram e muitos outros tiveram problemas de saúde, tal como os seus descendentes, que nasceram com deformações e foram afectados por doenças mortais.

Apesar de a Guerra Americana ter terminado há quase meio século, as sequelas graves são ainda hoje bastante perceptíveis. A Associação de Vítimas do Agente Laranja/dioxina (VAVA, na sigla em inglês) e a Cruz Vermelha nacional estimam que, entre as vítimas, haja 150 mil com defeitos congénitos e que mais de um milhão de pessoas tenham problemas de saúde graves, refere a fonte.

Lembrar o «desastre» e ajudar as vítimas

Numa cerimónia realizada dia 8 na Cidade de Ho Chi Minh a propósito do 61.º aniversário do «desastre», o major-general Tran Ngoc Tho, presidente da VAVA, lembrou as vítimas passadas e actuais do Agente Laranja/dioxina, e agradeceu a todos os que – Partido, autoridades locais, associações nacionais e internacionais – se uniram para ajudar essas vítimas.

A criação, em Janeiro de 2004, da Associação de Vítimas do Agente Laranja/dioxina (VAVA) significou a grande preocupação do Partido e do Estado em corrigir as consequências dos químicos tóxicos e em apoiar as vítimas.

Desde então, o Estado canalizou dezenas de milhões de dólares para ajudas mensais, cuidados médicos e reabilitação das vítimas, bem como para apoiar zonas que foram afectadas, afirmou o coronel-general Nguyen Van Rinh, também dirigente da associação.

A cerimónia que teve lugar na Cidade de Ho Chi Minh foi uma de várias iniciativas realizadas no país asiático para lembrar o «desastre» e reavivar a necessidade de apoiar as vítimas do Agente Laranja/dioxina.

Na província de Bac Lieu (Delta do Mekong), a VAVA entregou ontem 55 presentes a vítimas do desastre do Agente Laranja.

Na ocasião, o Comité Provincial do Partido Comunista do Vietname distinguiu pessoas que fizeram «contributos notáveis para o esforço conjunto de alívio da dor» das vítimas da dioxina, refere a VNA.

A presidente da delegação provincial da VAVA, Vo Thi Hong Thoai, lembrou que Bac Lieu, no Sul do país, foi uma das províncias mais duramente atingidas por elementos tóxicos durante a guerra e que mais de dez mil pessoas estiveram expostas ao Agente Laranja.

Nesta província, a associação conseguiu juntar 20,4 mil milhões de dongs (mais de 825 mil euros), que aplicou quase inteiramente na reabilitação e construção de casas, bem como na aquisição de materiais necessários às vítimas, como cadeiras de rodas, bicicletas e medicamentos.

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