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A Síria não esquece Khaled al-Asaad, o «guardião de Palmira»

A imprensa e instituições sírias prestaram homenagem ao arqueólogo Khaled al-Asaad, que dedicou mais de 50 anos ao estudo da cidade de Palmira e ali foi executado pelos terroristas do Daesh, em Agosto de 2015.

 Vista da cidade antiga de Palmira, do oásis e do deserto, ao fim do dia, a partir do castelo árabe (Novembro de 2008)
Vista da cidade antiga de Palmira, do oásis e do deserto, ao fim do dia, a partir do castelo árabe (Novembro de 2008) Créditos / AbrilAbril

Arqueólogo, antropólogo, investigador, tradutor, Khaled al-Asaad nasceu em Palmira em 1932 e foi decapitado publicamente pelo Daesh a 18 de Agosto de 2015, com 83 anos, depois de se ter recusado a abandonar a sua cidade natal, ter conseguido salvar o conteúdo do Museu de Palmira e se ter negado a revelar aos terroristas, sob tortura, onde se encontravam os «tesouros e antiguidades».

O conhecido arqueólogo, a quem foram dados os epítetos de «Guardião de Palmira» e «Sentinela de Palmira», teve um papel decisivo nas escavações e nos trabalhos de restauro da cidade antiga localizada no deserto sírio, trabalhando em coordenação com equipas sírias e missões arqueológicas estrangeiras de diversas proveniências, nomeadamente da Polónia, da Alemanha, da França, dos Estados Unidos, da Suíça, dos Países Baixos e de Itália.

Al-Asaad formou-se em História na Universidade de Damasco, em 1956. Sete anos depois, em 1963, foi nomeado director de Antiguidades e Museus de Palmira, bem como secretário-geral do Museu da cidade, instituição à frente da qual esteve 40 anos, até 2003.

Khaled al-Asaad, arqueólogo e director das Antiguidades e Museus em Palmira (Tadmur), foi executado pelo Daesh em Agosto de 2015 / pri.org

A grande marca de Khaled al-Asaad na cidade antiga de Palmira, «que maravilhou o mundo e levou turistas de todo o lado a visitar» a Pérola do Deserto – lembra a agência SANA –, foi alcançada no âmbito do Projecto de Desenvolvimento de Palmira, entre 1962 e 1966, com a descoberta da maior parte da Grande Colunata, a via mais comprida da cidade antiga, com cerca de sete quilómetros de comprimento, e a Praça do Grande Tetrápilo.

Além disso, os trabalhos por si dirigidos, centrados no século III d.C., conduziram à descoberta de vários túmulos antigos, de centenas de moedas de prata e da estátua conhecida como a Bela de Palmira.

Khaled al-Asaad, que recebeu diversas distinções no seu país e no estrangeiro – designadamente em França, na Polónia e na Tunísia –, foi um dos principais responsáveis pelo reconhecimento de Palmira, pela Unesco, como cidade património da humanidade, em 1980.

O «Guardião de Palmira», cuja faceta de tradutor é menos revelada – traduziu textos do aramaico e do dialecto aramaico falado em Palmira –, dá o seu nome, desde 2015, ao International Archaeological Discovery Award «Khaled al-Asaad». A Mediterranean Exchange of Archaeological Tourism e revistas de arqueologia de vários países uniram-se para, desta forma, homenagearem quem deu a vida em defesa do património.

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