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Secreta britânica recrutou terroristas como espiões na Síria

Em declarações a jornalistas russos, um ex-membro do Daesh explica como os serviços de inteligência britânicos o recrutaram para espiar e fotografar posições militares sírias e russas em território sírio.

Símbolo do Daesh numa cidade síria de onde o grupo terrorista foi obrigado a retirar-se graças às ofensivas do Exército sírio e dos seus aliados
Símbolo do Daesh numa cidade síria de onde o grupo terrorista foi obrigado a retirar-se graças às ofensivas do Exército sírio e dos seus aliados Créditos / The Independent

Mohammad Hussein Saud, ex-membro do Daesh (também conhecido como Estado Islâmico), afirma que o grupo terrorista obrigava os civis sírios a cooperar sob ameaça de morte.

Num depoimento publicado esta segunda-feira pelas agências russas TASS e Sputnik, Saud diz que, «antes da guerra, trabalhava no município de Palmira», na recolha de lixo. Acrescenta que, quando o Daesh controlou a cidade, na região desértica da província de Homs, todos os trabalhadores foram forçados a intregar-se nas fileiras do grupo terrorista. «Se não o fizéssemos, éramos decapitados. Não tínhamos escolha», diz.

Saud, que integrou as fileiras do Daesh em 2015, confessa que colocavam explosivos nas estradas e diz que muitos dos terroristas eram estrangeiros. Conseguiu escapar ao Daesh em 2016, depois de o grupo ter assassinado o seu irmão – um antigo militar sírio –, por traição.

Em declarações recolhidas pela Sputnik, diz que fugiu para Raqqah e, depois, para a região de al-Tanf, perto da fronteira com a Jordânia e o Iraque, e onde os EUA têm uma base militar. Ali, teve como missão patrulhar o território da base norte-americana.

«Não houve qualquer treino. Entrei e comecei imediatamente a roubar os beduínos. Tirávamos-lhes a água e os objectos de metal, que depois vendíamos. O nosso chefe era um sírio, um delinquente; vendia drogas e armas. Pagavam-me 300 dólares por mês. Os norte-americanos pagavam ao nosso chefe e ele distribuía o dinheiro», conta Saud.

Contactos com os serviços secretos britânicos

«Decidi regressar à minha cidade natal. Os britânicos souberam disso através dos seus intermediários e disseram-me que ia trabalhar para eles como espião», diz Saud aos jornalistas russos.

Garante que os britânicos lhe ofereceram dinheiro e lhe deram ordens para fotografar instalações importantes dos serviços secretos sírios e dos militares russos e sírios. «Tinha de lhes enviar as imagens pela Internet», acrescenta.

O ex-membro do Daesh confessa que os serviços secretos britânicos o contactaram ainda na região zona de al-Tanf e explica que queriam informação detalhada sobre a vigilância das instalações russas e sírias, para depois poderem levar a cabo acções terroristas.

Os agentes britânicos, diz Saud, nomearam um guia turístico de Palmira, que sabia várias línguas, como chefe do grupo de espiões. Confirma que os serviços secretos sírios conseguiram capturar um dos espiões.

A cientista política Karine Guevorguián esclareceu aos jornalistas que a presença das forças britânicas é há muito conhecida.

«Os instrutores britânicos (...) ensinavam a fazer fortificações. Os jihadistas do Daesh fizeram todos os túneis com as instruções dos britânicos (…). Também lhes ensinaram a fazer artefactos de artilharia com meios caseiros (…). É o que sabem fazer e sempre se dedicaram a isso», afirmou Guevorguián à Sputnik.

Por seu lado, o cientista político Andrei Manoilo acredita que apenas 10% dos espiões conseguem informação concreta para os serviços britânicos Mi-6 e para a CIA.

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