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Pela defesa da paz, é «urgente» acabar com o cerco da NATO à Rússia

Acompanhando com preocupação a escalada de tensão da NATO face à Rússia, o CPPC defende que o Governo português não deve alinhar nesta escalada, respeitando os princípios da Constituição da República.

Comboio militar da NATO circulando em estradas polacas.
Comboio militar da NATO circulando em estradas polacas. CréditosFonte: US Naval Institut

«Perante a gravidade da situação», o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) advoga a urgente adopção de medidas que reduzam, no imediato, a escalada militar e o perigo de confrontação, bem como a promoção do «estabelecimento de medidas de confiança mútua que, a prazo, possibilitem o desanuviamento e a salvaguarda da paz».

Numa nota agora publicada, a organização de defesa da paz urge ao fim da ameaça de escalada de agressão das forças militares ucranianas no Donbass e apela ao diálogo «com vista à resolução pacífica do conflito, no respeito dos acordos e compromissos anteriormente assumidos».

Também considera fundamental deter a escalada de confrontação, a campanha belicista e as contínuas ameaças por parte da NATO face à Rússia, incluindo «provocações e manobras» junto às fronteiras da Rússia, e os planos de instalação de sistemas de misseis e de outros armamentos de carácter ofensivo dos EUA na Europa.

É igualmente proposto o fim do alargamento da NATO, assim como colocar no horizonte a dissolução deste bloco político-militar «agressivo e principal responsável pela corrida aos armamentos e militarização que hoje varre o mundo».

Só tomando medidas desta dimensão, para acabar com «a política de confrontação e cerco à Rússia», se poderá «salvaguardar a paz e a segurança na Europa e no mundo», defende o CPPC, que reafirma o direito dos povos à paz e à soberania.

No que respeita à actuação do Governo português, o organismo de defesa da paz considera que não deve ser pautada pelo «alinhamento com a escalada belicista e de ameaça da NATO e da UE [União Europeia]», e que a intervenção no plano internacional deve ser feita no respeito dos princípios da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente pela «solução pacífica dos conflitos internacionais».

Não se trata de um mero «diferendo entre a Ucrânia e a Rússia»

Sobre as razões na origem do agravamento da situação, o CPPC alerta que não devem ser reduzidas a um diferendo entre a Ucrânia e a Rússia. «Na verdade, elas radicam em décadas de alargamento da NATO ao Leste da Europa – de cuja estratégia a Ucrânia é actualmente mais um peão –, visando o cerco, a pressão, a chantagem, a confrontação com a Rússia», lê-se no texto.

«Faltando a compromissos de boa vizinhança assumidos na década de oitenta do século passado, sucessivos alargamentos da NATO nos últimos 30 anos colocaram este bloco político-militar agressivo às portas da Rússia», afirma o CPPC, que situa igualmente entre os motivos para o agravamento da situação questões como: o aumento do número de exercícios militares junto às fronteiras russas; o abandono, pelos EUA, de vários tratados internacionais de controlo de armamento; a imposição de sanções económicas à Rússia, por parte de EUA e UE; uma campanha anti-russa «cada vez mais agressiva» e «mobilizando vastos recursos mediáticos».

Neste sentido, torna-se «extremamente perigosa a instrumentalização da Ucrânia na estratégia belicista da NATO», alerta o texto, sublinhando que, «desde o golpe de Estado de 2014 – orquestrado e apoiado por EUA, NATO e UE –, é dirigida por forças assumidamente xenófobas e anti-russas, em que se integram sectores fascistas, que levaram a profundas divisões e à guerra» no país.

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