Numa conferência de imprensa, este domingo, à margem da sessão em curso do órgão legislativo nacional, o diplomata disse que nas últimas quatro décadas a participação do Sul Global na economia mundial passou de 24% para mais de 40%.
Wang destacou que esta tendência se tornou uma força motriz chave para o multilateralismo a nível mundial, refere a Xinhua.
Num encontro com a imprensa em que abordou questões relacionadas com a diplomacia do país asiático e temas centrais da actualidade, Wang referiu que, num momento em que o hegemonismo e a política de poder se afirmam e desferem um rude golpe na ordem internacional, os países do Sul Global devem intensificar a comunicação e a coordenação.
O diplomata apelou à defesa conjunta dos direitos e interesses legítimos «num mundo em mudança e mais turbulento», bem como à construção da confiança e da unidade, para erguer a bandeira da paz e do desenvolvimento, e alcançar resultados mutuamente benéficos.
Vincando a defesa do multilateralismo, Wang afirmou a importância da cooperação com vista a manter o sistema internacional, tendo como centro a ONU e a ordem baseada no direito internacional.
«O coração da China está com o Sul Global, e a raiz da China está no Sul Global», afirmou, manifestando a disponibilidade do país asiático para unir forças com outros países do Sul no caminho para a modernização e a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade.
Rejeição do hegemonismo
Na mesma ocasião, o diplomata afirmou que a China não partilha a lógica hegemónica de que o mundo deve ser governado por uns quantos, sublinhando que as lutas entre grandes potências pela hegemonia trouxeram «desastre e sofrimento» à humanidade.
Assumindo que o seu país e os EUA têm grande impacto no mundo, Wang frisou que há mais de 190 países no planeta e que «o futuro da humanidade foi sempre forjado através dos esforços colectivos de todas as nações».
«A China jamais seguirá o caminho da procura da hegemonia à medida que o seu poder cresce, nem concorda com a lógica de que o mundo pode ser governado por grandes potências», afirmou Wang, frisando que o país asiático está empenhado na procura de um caminho de desenvolvimento pacífico.
Neste contexto, reiterou que a proposta da China para o panorama internacional é construir um mundo multipolar igualitário e ordenado. «Esta deve ser uma responsabilidade comum de todos os países», acrescentou.
Wang Yi defendeu ainda que os grandes países, com mais recursos e capacidades, devem ser mais generosos e dar o exemplo no que toca ao cumprimento das normas e à defesa do direito internacional.
Guerra no Médio Oriente nunca devia ter acontecido
Na conferência de imprensa deste domingo, o diplomata chinês pediu a suspensão imediata das operações militares no Médio Oriente, de modo a evitar uma escalada ainda maior e impedir que o conflito se propague, refere a Xinhua. «É uma guerra que não devia ter acontecido e que não beneficia ninguém», frisou.
«A força não oferece soluções, e o conflito armado só vai fazer aumentar o ódio e criar novas crises», disse, acrescentando que «a força não faz o direito» e que o mundo não pode voltar à lei da selva.
Destacando que a população civil não pode ser vítima, Wang defendeu que, para abordar as questões relativas ao Irão e ao Médio Oriente, devem ser respeitados princípios fundamentais como os da soberania nacional, segurança e integridade territorial.
Advogou ainda a não ingerência nos assuntos internos dos países, criticou esquemas de desestabilização política, defendeu o regresso à negociação e a promoção de soluções políticas, de modo que a região conheça de novo a tranquilidade e a paz.
Países latino-americanos devem ser soberanos nas suas escolhas
No que respeita à América Latina e Caraíbas, Wang Yi sublinhou que os recursos da região lhe pertencem e que cabe aos povos dos vários países determinar o caminho que querem trilhar e que amigos fazer.
O responsável pela pasta da diplomacia chinesa referiu-se à cooperação entre o seu país e a América Latina como «ajuda e apoio mútuo entre países do Sul Global», não sujeita a cálculos geopolíticos e sem ingerências nos assuntos internos de cada qual.
Neste sentido, sublinhou que «a cooperação entre a China e os países da América Latina e Caraíbas não visa terceiros e não deve estar sujeita a interferências de terceiros».
Independentemente da forma como a situação evoluir, a China está disposta a trabalhar com os países da região para construir uma comunidade com futuro partilhado, acrescentou Wang.
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