Na capital, Thiruvananthapuram, Pinarayi Vijayan, ministro-chefe de Kerala e membro do Partido Comunista da Índia (Marxista), interveio numa concentração que juntou centenas de pessoas, este domingo, para condenar o imperialismo norte-americano, os ataques ao Irão e o posicionamento do governo central.
No entender de Vijayan, o «silêncio» do governo indiano sobre os ataques israelo-norte-americanos trouxe «descrédito» ao país e ao seu povo. A Índia, disse, parece agora alinhada com as forças imperialistas, quando era conhecida pelo seu legado de oposição a essas forças.
Numa acção de protesto organizada pela FDE, que o Partido Comunista da Índia (Marxista) integra e lidera, o ministro-chefe de Kerala recordou que «o Irão se posicionou firmemente ao lado da Índia em momentos difíceis» e perguntou por que razão a Índia é incapaz de se pronunciar quando esse país é atacado de forma unilateral.
Neste sentido, Vijayan dirigiu fortes críticas ao governo central (de extrema-direita) e a Narendra Modi, lembrando que este se tinha deslocado a Israel e abraçado o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, poucos dias antes do ataque ilegal ao Irão.
Denúncia da agenda norte-americana
Afirmando que esta agressão se enquadra na agenda dos EUA de controlo dos recursos petrolíferos, o governante e dirigente comunista destacou as preocupações subsequentes de milhões de pessoas em todo o mundo, refere The Print.
O ministro-chefe de Kerala acusou ainda os EUA de quererem ser o «polícia do mundo» e pretender impor a sua vontade a outros países, gerando violência em regiões onde os acontecimentos não se ajustam aos seus interesses.
Neste contexto, alertou para as consequências de uma eventual escalada, que poderá ter efeitos sérios na economia mundial.
«Submissão humilhante» da Índia às potências imperialistas
A iniciativa na capital do estado do Sul da Índia foi uma de várias promovidas pela FDE nos últimos dias, sempre a afirmar a defesa da paz no Médio Oriente e no mundo, a condenar a agressão levada a cabo por EUA e Israel contra o Irão, e a criticar o posicionamento de Narendra Modi, como ocorreu, também no domingo, num acto em Ernakulam com enorme participação popular.
Na sexta-feira à noite, um protesto semelhante em Kozhikode juntou milhares de pessoas, na presença das quais Pinarayi Vijayan apelou à solidariedade com o Irão, sublinhando que a Índia não deve apoiar o imperialismo norte-americano e israelita.
«O país está a ser subjugado pelas potências imperialistas e a capitular perante elas. Isto deve ser encarado com seriedade», disse o ministro-chefe, considerando que a «submissão» da Índia é «humilhante», indica a Maktoob Media.
Ao intervir na iniciativa em defesa da paz e em solidariedade com o Irão, Vijayan destacou ainda o facto de que os ataques militares unilaterais violam a soberania nacional e põem em risco a paz no mundo.
Assim, insistiu que o governo indiano deve honrar a tradição do país de «independência» na política externa, apelando à defesa do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
Tal como outros oradores, o ministro-chefe de Kerala destacou ainda a importância dos acontecimentos no Médio Oriente para a Índia, tendo em conta o grande número de emigrantes indianos residentes em países da região ocidental da Ásia.
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