Num comunicado, o Centro Palestiniano de Pessoas Desaparecidas e Vítimas de Desaparecimento Forçado revelou que, de acordo com as estimativas de campo, há cerca de 8000 pessoas actualmente desaparecidas em Gaza, incluindo pelo menos 3200 mulheres e raparigas.
Outras estimativas, indica o portal palinfo.com, sugerem que as mulheres podem representar quase 70% do número total de desaparecidos, mas a ausência de dados precisos, devido à destruição em massa e ao acesso limitado aos escombros, dificulta a confirmação de números exactos.
No Dia Internacional da Mulher, a organização não governamental (ONG) destacou o facto de milhares de mulheres continuarem sob casas destruídas ou em áreas controladas pelas forças israelitas, havendo ainda outras que devem ter sido vítimas de desaparecimento forçado em centros de detenção da ocupação.
Neste sentido, criticou o facto de as autoridades da ocupação se recusarem a fornecer informação sobre o destino ou o paradeiro das mulheres presas, sublinhando que se trata de uma violação grave do direito internacional e humanitário, e impede as famílias de saber a verdade.
Por isso, a ONG reclamou que a ONU e outras organizações internacionais pertinentes «tomem medidas imediatas», em que se inclui a pressão sobre Israel para que revele os locais onde se encontram as mulheres detidas no enclave, bem como garantias contra o desaparecimento forçado.
Também solicitou pressão sobre as autoridades da ocupação para que autorize a entrada de máquinas pesadas na Faixa de Gaza e deixe trabalhar as equipas da Protecção Civil palestiniana de modo a recuperar os corpos das vítimas sob os escombros dos edifícios bombardeados.
Mais de 12 500 mulheres mortas no genocídio de Gaza
Também este domingo, o Ministério palestiniano dos Assuntos da Mulher revelou que mais de 12 500 mulheres foram mortas no enclave costeiro, 9000 das quais mães, desde o começo da ofensiva genocida israelita.
No mesmo documento, a tutela indicou que 56 348 menores ficaram órfãos ao perder um ou ambos os pais, e 21 193 mulheres ficaram viúvas – o que fez aumentar a carga que já suportavam, num contexto de colapso económico e social.
Sublinhando o «ataque sistemático às famílias palestinianas» por parte da ocupação, o ministério acrescentou que mais de 6000 famílias foram aniquiladas, restando apenas um sobrevivente (geralmente, uma mulher ou um menor), e que 2700 desapareceram por completo do registo civil.
O comunicado revelou ainda que cerca de 107 mil mulheres grávidas ou lactantes enfrentam riscos de saúde sérios, em virtude do colapso do sistema de saúde e da falta de cuidados médicos.
A defesa dos direitos das mulheres palestinianas representa uma questão de «justiça, liberdade e dignidade nacional», afirmou ainda a tutela, destacando a existência de um «dever humanitário e legal» para lhes assegurar o direito a «uma vida segura e digna, longe da ocupação e da agressão».
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