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Mulheres do MST conquistam reflorestamento de terras após bloquear trilhos da Samarco

O bloqueio, realizado por cerca de 700 mulheres, resultou no compromisso, pela mineradora, de reflorestar mais de 2 mil hectares de terras da reforma agrária, afectados por um crime ambiental da empresa.

Trabalhadoras do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), em luta pela reforma agrária no Brasil
MST quer restauração ambiental de 5,7 mil hectares na bacia do Rio Doce Créditos

O bloqueio de trilhos da mineradora Samarco na via férrea Vitória–Minas, em Tumiritinga, no estado de Minas Gerais (MG), iniciado na passada segunda-feira por cerca de 700 mulheres do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), levou a empresa, ao fim de 24 horas, a comprometer-se a iniciar o processo de reflorestamento de 2 mil hectares de assentamentos da reforma agrária, atingidos pelo crime ambiental da empresa, na região da bacia do Rio Doce.

A mobilização, que terminou após o anúncio das conquistas, teve por objectivo denunciar a falta de reparação integral, após mais de 10 anos, dos danos gerados pelo rompimento da barragem de Fundão, que aconteceu em Mariana, em Novembro de 2015. O episódio ficou conhecido como o maior desastre sócio-ambiental da história do Brasil e, mesmo assim, as empresas Samarco, Vale e BHP, responsáveis pela estrutura que cedeu, não foram responsabilizadas.

Ao todo, segundo o Brasil de Fato, mais de 30 milhões de metros cúbicos de detritos foram despejados na bacia e a lama percorreu cerca de 600 quilómetros, atingindo os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, devastando comunidades, contaminando nascentes e destruindo modos de vida. O MST chama a atenção para o facto de a necessidade de restauração ambiental ser, pelo menos, de 5,7 mil hectares.

A luta das mulheres do movimento também conquistou a garantia do pagamento de indemnizações individuais. Na avaliação dos sem terra, o avanço obtido nestas negociações com a Samarco foi essencial, mas ainda são muitas as reivindicações pendentes. Por isso, segundo o MST, mesmo que o bloqueio dos trilhos tenha sido levantado, a luta continuará.

«As medidas representam um passo importante na reparação ambiental e na dignidade das famílias, embora ainda estejam longe de abarcar todas as reivindicações. As mulheres sem terra reafirmam que a mobilização continua, e que sabem bem que o caminho da conquista é a luta. Permanecem na pauta a continuidade do reflorestamento e o acesso à água potável para as famílias atingidas», afirmou o movimento, em nota de imprensa.

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