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Israel «não conseguirá quebrar a vontade» dos jornalistas palestinianos

Amal al-Shamali, correspondente da Rádio Qatar, foi morta na sequência de ataques da ocupação a tendas para deslocados na região central de Gaza, revelou o Sindicato dos Jornalistas Palestinianos (SJP).

Familiares choram a morte da jornalista Amal al-Shamali, vítima de ataques da ocupação israelita na região central da Faixa de Gaza CréditosEyad Baba / Al Jazeera

Ao anunciar a morte da jornalista Amal Hammad al-Shamali, de 46 anos, a organização sindical refere que o «crime» foi perpetrado esta segunda-feira em al-Zawaida, na região de Deir al-Balah (Centro da Faixa de Gaza), sublinhando que a ocorrência se vem juntar «à série de crimes e violações contra jornalistas e profissionais da comunicação social palestinianos».

Num comunicado divulgado no seu portal, o sindicato revela que a colega falecida «tinha trabalhado com vários órgãos de comunicação árabes e locais, e era um dos jornalistas que continuaram a exercer a sua missão jornalística apesar da agressão e da guerra em curso na Faixa de Gaza».

De acordo com o organismo, pelo menos 260 jornalistas e trabalhadores da imprensa palestinianos foram mortos desde o início da guerra de extermínio lançada por Israel contra a Faixa de Gaza, em Outubro de 2023.

«Este período representa um dos mais sangrentos para os jornalistas na história moderna, reflectindo a dimensão da perseguição deliberada ao jornalismo palestiniano, numa tentativa de silenciar a voz da verdade e impedir a documentação dos crimes e violações cometidos contra o povo palestiniano», afirma o SJP.

Sublinhando que o ataque a jornalistas constitui um crime de guerra e uma violação flagrante do direito internacional humanitário e das convenções de Genebra, o sindicato diz ainda que estes ataques «não conseguirão quebrar a vontade da comunidade jornalística palestiniana nem impedi-la de cumprir a sua missão profissional e humanitária de divulgar a verdade e documentar os crimes e agressões sofridos pelo povo palestiniano».

Ocupação, EUA e potências ocidentais são responsáveis

Após o assassinato de al-Shamali, o Gabinete de imprensa do governo em Gaza emitiu um comunicado a condenar «o ataque sistemático, o assassinato e a perseguição de jornalistas palestinianos pela ocupação israelita».

O texto declara ainda que «a ocupação israelita, o governo dos EUA e os países que participam no crime de genocídio – como o Reino Unido, a Alemanha e a França –» são inteiramente responsáveis «pela prática destes crimes hediondos e brutais».

Neste contexto, exorta as associações de imprensa internacionais e regionais, as organizações de defesa dos direitos humanos e o mundo a condenarem «os crimes» cometidos contra jornalistas e profissionais dos meios de comunicação palestinianos que trabalham em Gaza, bem como a tomarem medidas para que Israel tenha de prestar contas pelos «crimes que está a cometer» contra os jornalistas palestinianos.

De acordo com uma contagem do portal shireen.ps – um site de monitorização que tem o nome da jornalista Shireen Abu Akleh, da Al Jazeera, morta a tiro pelas forças israelitas na Cisjordânia ocupada em 2022 –, os ataques israelitas mataram cerca de 13 jornalistas por mês ao longo de mais de dois anos de guerra de extermínio, refere a Al Jazeera, sublinhando que a mais recente agressão israelita a Gaza está a ser o conflito mais mortífero para os jornalistas.

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