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O sonho dos EUA de gozar de segurança no Iraque jamais será uma realidade

A Comissão de Coordenação da Resistência Iraquiana desconfia da seriedade dos EUA quanto à retirada das tropas do país árabe, sublinhando que o «sonho americano» da segurança no Iraque é uma «ilusão».

Coluna militar das Unidades de Mobilização Popular iraquianas (Hashd al-Shaabi, em árabe), que têm combatido o Daesh, tanto no Iraque como na Síria, ao lado do Exército Árabe Sírio 
Coluna militar das Unidades de Mobilização Popular iraquianas (Hashd al-Shaabi, em árabe), que têm combatido o Daesh, tanto no Iraque como na Síria, ao lado do Exército Árabe Sírio Créditos / PressTV

«É para nós cada dia mais claro que as forças de ocupação norte-americanas não levam a sério o cumprimento […] de implementar a resolução do Parlamento relativa à sua retirada», disse a Comissão num comunicado emitido esta terça-feira.

Os deputados iraquianos votaram a favor da retirada do país árabe das tropas norte-americanas e das demais forças por elas comandadas, no dia 5 de Janeiro de 2020, dois dias depois de Washington ter assassinado, nas imediações do aeroporto de Bagdade, o general Qassem Soleimani, comandante da Força Quds dos Guardiães da Revolução Islâmica iraniana, e Abu Mahdi al-Muhandis, subcomandante das Unidades de Mobilização Popular iraquianas (UMP; Hashd al-Shaabi, em árabe).

No comunicado, os grupos da resistência iraquiana afirmam que esperaram até agora para dar mais uma oportunidade às forças norte-americanas de deixarem o país, tal como exigido pela lei.

O texto, refere a PressTV, pede ao governo iraquiano que cumpra o seu dever de expulsar as forças ocupantes do país, acrescentando que parece que os EUA insistem em manter as suas tropas no Iraque.

Os grupos da resistência acusam os norte-americanos de pretenderem reter as suas forças nas actuais bases e de quererem assumir o controlo do espaço aéreo, para espiar as zonas que não são controladas pelos terroristas do Daesh.

«O sonho americano de que os seus soldados se sintam à vontade e de que as suas bases gozem de paz e estabilidade no Iraque é uma ilusão que jamais será concretizada», sublinha a Comissão.

«Todas as bases têm de ser entregues ao Exército iraquiano»

Numa outra declaração, a Aliança Fatah reiterou o apelo para a expulsão total das forças de combate estrangeiras do Iraque até ao final deste ano, sublinhando que as suas bases devem ser entregues ao Exército do país.

Quanto à presença de forças técnicas e assessores, deve ser realizada de acordo com a lei e respeitando o governo iraquiano, frisou a coligação política.

Desde o assassinato de Qassem Soleimani – figura de reconhecido prestígio militar na luta antiterrorista no Médio Oriente e que teve um papel determinante na batalha decisiva de Alepo, no Norte da Síria –, as forças da resistência iraquiana intensificaram a pressão sobre os militares dos EUA, com vista à sua saída do país árabe.

Em meados deste ano, Bagdade e Washington chegaram a um acordo sobre o fim da presença no Iraque das tropas de combate da coligação liderada pelos norte-americanos, que deverá ser efectivado até 31 de Dezembro do corrente.

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