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Galegos outra vez nas ruas contra as agressões do imperialismo

Sob o lema «Não à guerra imperialista», centenas de pessoas mobilizaram-se em duas dezenas de localidades galegas por uma paz assente na soberania dos povos e que não seja um parêntesis entre guerras.

Ferrol foi uma das localidades onde se denunciou a agressão ao Irão como parte de «um padrão de dominação imperialista» Créditos / @gzcontraaotan

As manifestações e concentrações desta segunda-feira à noite em cerca de 20 localidades galegas ficaram marcadas pela denúncia firme do imperialismo e das suas agressões, como a que agora tem lugar no Irão, que não começa nem acaba ali, mas «se integra num padrão global de dominação imperialista».

Num manifesto lido no final de cada mobilização, a plataforma Galiza pola Paz, que as promoveu, sublinhou a necessidade de vir para a rua e não ficar em silêncio «perante aqueles que procuram reformular as relações entre os povos com base na lei do mais forte e na impunidade organizada».

«Não podemos ficar em casa perante um sistema em que dois actores – os Estados Unidos e o seu cliente, o chamado Estado de Israel – fazem e desfazem à vontade, em qualquer lugar, a qualquer momento, sem que ninguém lhes possa pedir contas», destacou a plataforma.

Uma guerra pelo mundo com o mesmo autor, o mesmo objectivo e a mesma lógica

Um aspecto que os manifestantes deixaram claro é que a guerra contra o Irão é a mesma que se assume com outras expressões noutros locais, como a de «aniquilação da Palestina» e «que, em Gaza, assume a forma de genocídio».

É a mesma que em Cuba «assume a forma de um embargo e de um bloqueio criminoso que dura há mais de seis décadas e que visa estrangular um povo pela sua recusa em submeter-se», destacaram nas ruas e praças da Galiza, apontado igualmente as sucessivas tentativas de golpe, bloqueios navais e sanções económicas contra a Venezuela, onde «se chegou ao extremo do sequestro do presidente Nicolás Maduro e da congressista Cilia Flores».

«É a mesma guerra que ameaça permanentemente o Líbano com uma invasão terrestre e o Iémen com ataques aéreos dia após dia, semana após semana, durante anos. É a mesma guerra que conseguiu derrubar o governo sírio e colocar à sua frente o líder local dos jihadistas», denunciaram os participantes nas mobilizações promovidas pela plataforma.

A rematar a ideia, a Galiza pola Paz frisou que se trata da «mesma guerra porque tem o mesmo autor, o mesmo objectivo e a mesma lógica: subjugar ou destruir qualquer povo que se atreva a exercer a sua soberania independentemente das directrizes de Washington», visando apoderar-se dos recursos naturais e energéticos, controlar posições geoestratégicas e tentar bloquear, seja como for, «o surgimento de um mundo multipolar».

Medidas contra a especulação e coerência política

Alertando para o aumento «escandaloso» do preço dos combustíveis que acompanha a escalada bélica do eixo imperialista liderado pelos Estados Unidos e para o modo como isso se traduz de forma imediata num aumento do custo de vida para os trabalhadores, os manifestantes exigiram ao governo espanhol que tome medidas para evitar a especulação.

Exigiram-lhe também «coerência política», porque se apresenta como «defensor da paz e da ordem internacional», se apropria do lema «não à guerra», e depois envia um navio de guerra de Ferrol para o Mediterrâneo Oriental, uma «hipocrisia» que, disseram, não tem «justificação possível».

Uma paz que não seja palavra vazia

A plataforma anti-imperialista vincou a defesa da paz, mas frisando que não lhe interessa «a paz como uma palavra vazia ou como um parêntesis entre guerras».

«Interessa-nos a verdadeira paz: a que se constrói com base no respeito pela soberania dos povos, a que implica deixar em paz os povos do Irão, do Líbano, da Palestina, de Cuba, da Venezuela», destacaram, explicando que essa paz reclama «o fim de toda a agressão militar, de todos os embargos, de todos os bloqueios, de toda a ingerência».

Em seu entender, «se o imperialismo, a NATO, os Estados Unidos, a União Europeia e o Estado sionista de Israel precisam desesperadamente da guerra para preservar a sua posição hegemónica», aos povos resta apenas um caminho: o da defesa decidida da paz.

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