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No Dia da Terra, palestinianos em casa e bandeiras nos telhados

A 30 de Março, os palestinianos assinalam o Dia da Terra com mobilizações de massas, mas este ano, num contexto de pandemia, os eventos foram cancelados e foi feito um apelo para mostrar a bandeira nacional.

Homem palestiniano com a bandeira nacional (foto de arquivo)
Homem palestiniano com a bandeira nacional (foto de arquivo)Créditos / kasihpalestina.com

Diversas facções palestinianas cancelaram, no sábado passado, as mobilizações que haviam convocado, na Faixa de Gaza cercada, para assinalar o 44.º aniversário do Dia da Terra Palestina e o segundo aniversário do início das mobilizações da Grande Marcha do Retorno, tendo em conta o contexto de pandemia de Covid-19.

A 30 de Março de 1976, no Norte de Israel, foram assassinados seis palestinianos que protestavam contra a expropriação de terras para dar lugar a aldeamentos judaicos. Além disso, cerca de 100 pessoas ficaram feridas e centenas foram presas durante a greve geral e as grandes manifestações de protesto que, no mesmo dia, ocorreram no território do Estado de Israel. A partir de então, os palestinianos passaram a comemorar o Dia da Terra a cada 30 de Março.

Precisamente nesse dia, em 2018, os palestinianos residentes no enclave cercado da Faixa de Gaza deram início aos protestos da Grande Marcha do Retorno. Com essas mobilizações, exigiam – e exigem – o direito dos refugiados palestinianos e seus descendentes a regressarem às terras, na Palestina histórica, de onde foram expulsos em 1948, no âmbito da campanha de limpeza étnica realizada pelas forças sionistas, por ocasião da criação de Israel, bem como nas décadas subsequentes.

Reclamam igualmente o levantamento do cerco imposto por Israel há mais de uma década ao enclave costeiro, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas em condições humanitárias dramáticas.

No sábado, Khaled al-Batsh, representante da Jihad Islâmica, comunicou o cancelamento das iniciativas programadas e instou as pessoas a ficar em casa, para sua segurança, tendo em conta «a pandemia letal». Em vez disso – e tal como fizeram outros responsáveis palestinianos na Margem Ocidental ocupada –, pediu à população que exibisse a bandeira da Palestina nos telhados das suas casas, informam a PressTV e a Quds News Network.

Liga Árabe pede a organismos mundiais que denunciem crimes de Israel

Num comunicado emitido este domingo, a propósito do 44.º aniversário do Dia da Terra Palestina, a Liga Árabe (LA) denunciou as violações dos direitos da Palestina perpetradas por Israel e instou os organismos internacionais a expor abertamente as políticas racistas e os crimes que a entidade sionista comete contra o povo palestiniano.

«Israel continua a violar os princípios básicos do direito internacional e as resoluções da Organização das Nações Unidas ao aumentar os seus colonatos ilegais nos territórios palestinianos ocupados», denunciou a LA, advertindo que as autoridades de Telavive pretendem transformar os territórios palestinianos em zonas exclusivamente judaicas, refere a HispanTV.

Reafirmando o seu apoio total aos palestinianos na luta contra Israel, o bloco pan-árabe insistiu na necessidade de criar um Estado palestiniano independente tendo como capital Jerusalém.

A Liga Árabe alerta ainda que Israel se está a aproveitar do facto de o foco mediático mundial estar centrado na pandemia da Covid-19 para levar a efeito os seus planos expansionistas e usurpar mais terras palestinianas.

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